terça-feira, 18 de outubro de 2016

Uber cresce 10 vezes e já tem 50 mil motoristas

18/10/2016  - O Estado de SP

SÃO PAULO - Um ano após as primeiras polêmicas envolvendo o Uber no País, o número de motoristas na empresa americana cresceu dez vezes no período, atingindo 50 mil parceiros. Em meio a condutores insatisfeitos com casos de assalto recentes e queixas de baixo retorno financeiro, além da sobretaxa anunciada pela Prefeitura de São Paulo para combater o monopólio do Uber, empresas concorrentes começam a ganhar espaço. 

Além do Uber, três aplicativos também estão cadastrados para operar na capital paulista hoje: Cabify, 99POP e Easy Go. Essas empresas não informaram o número de veículos e de downloads. Há ainda outras quatro em processo de credenciamento – questionada, a Prefeitura não informou quais. 

Na semana passada, a gestão municipal decidiu mudar a cobrança de taxas dos aplicativos de transporte. A outorga cobrada, agora, crescerá de acordo com o tamanho da empresa. Na prática, a sobretaxa deverá encarecer as viagens do Uber em relação aos concorrentes. A mudança é para evitar que a americana domine o mercado paulistano.

Segundo dados do Uber obtidos pelo Estado, a meta de 50 mil colaboradores no Brasil foi estipulada em fevereiro. Em setembro de 2015, então com 5 mil motoristas parceiros no Rio e em São Paulo, a empresa havia colocado como meta chegar a 30 mil colaboradores neste ano. De acordo com a empresa, eram cerca de 500 mil usuários na época – quando se considerava o número de downloads do app. 

Hoje, o Uber atua em 27 cidades e chegou a 4 milhões de usuários ativos – quem usou o serviço pelo menos uma vez nos últimos três meses. O Estado procurou o Uber, que não quis comentar os dados.

Em São Paulo, após a regulamentação dos aplicativos de transporte, em maio, e a mudança na cobrança da taxa para quebrar o monopólio do Uber, a demanda dos usuários e dos motoristas também tem crescido em outros aplicativos. Segundo o diretor-geral do Cabify Brasil, Daniel Velazco-Bedoya, a fila de espera para ser colaborador da empresa espanhola é de 30 mil pessoas, considerando, além da capital paulista, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte. 

“Estamos atualizando nossa previsão de crescimento. (A sobretaxa) afeta diretamente. Esperamos que tenha migração não apenas de parceiro, mas de usuários. Ou a empresa vai absorver os custos, que podem ser altos, ou pode repassar para o usuário. Se for repassado para o usuário, deve haver uma migração”, afirmou Velazco-Bedoya.

De acordo com informações do gerente de relações-públicas da 99POP, Ricardo Ricardo Kauffman, nas últimas duas semanas as corridas com o aplicativo cresceram 48%, na comparação com as duas últimas semanas de setembro. Segundo ele, no mesmo período, houve aumento de 46% no número de motoristas que ativaram o 99POP, serviço da empresa 99 com motoristas particulares. Até o fim do ano, o aplicativo planeja expansão para o Rio. “Estamos bastante satisfeitos por conseguir atrair novos passageiros pela qualidade, agora que conseguimos preço mais competitivo”, diz ele. 

Sem detalhar, o diretor Brasil Geral da Easy Go, Fernando Matias, disse que um dos investimentos da empresa para se tornar mais competitiva é a redução “dos custos dos motoristas” para deixar o valor das corridas mais acessível, como abastecimento em postos de gasolina. 

Pesquisa. Antes de recorrer a um dos aplicativos, a publicitária Marcela Caló, de 25 anos, faz pesquisa de preço entre três opções: Uber, Cabify e táxi. Se está com pressa, opta pelos taxistas, que têm permissão para trafegar em corredores e faixas de ônibus. Entre Uber e Cabify, a escolha toma por base o valor a ser pago pela viagem. “Não me preocupo tanto com o serviço. Se o carro estiver detonado, reparo e dou pontuação menor. Mas em geral acabo escolhendo por desconto, por qual viagem sairá mais barata. Às vezes, entre um aplicativo e outro, a diferença é de R$ 10”, diz. 

A professora de Direito Público da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Dinorá Grotti, reconhece que a sobretaxa criada pela Prefeitura deve provocar uma competição mais acirrada entre os aplicativos. Ela avalia, porém, que a regulamentação por decreto e a falta de uma lei criam insegurança jurídica “generalizada”.

Para o motorista do Uber André Pimenta, de 37 anos, a empresa só vai deixar de perder colaboradores se reduzir a taxa de 25% de cada corrida, que fica com o aplicativo. 

Ele está há dez meses no aplicativo e, no início, o lucro era o seu sustento. Agora, acumulou “bicos” e passou a procurar um emprego fixo. “Penso em sair se não houver valorização melhor do parceiro”, afirma Pimenta. 

A socióloga Raquel Alonso, de 32 anos, usou o Uber no máximo cinco vezes neste ano. E não quer repetir a experiência. “As empresas de aplicativo têm usado a imagem de novo modelo de tecnologia como venda de uma ilusão. Você diz para o motorista que ele tem mais flexibilidade de trabalho, que está mais livre. Mas, na verdade, a pessoa está mais presa. Sem nenhuma garantia, ela acaba trabalhando muito mais. É uma precarização”, afirma. Hoje, quando não está usando transporte coletivo público, só usa táxi.

domingo, 26 de junho de 2016

Com brecha na lei, serviço de mototáxi estreia em SP; prefeitura é contra

25/06/2016  - Folha de SP

A partir da próxima sexta-feira (30), o morador de São Paulo que quiser percorrer a cidade sob duas rodas terá à disposição um sistema de transporte de passageiros em motos por meio de um aplicativo semelhante ao Uber.

A iniciativa é da empresa pernambucana T81, que atua desde março na Grande Recife, no Rio de Janeiro e em Joinville (SC). Cerca de 2.000 motociclistas, segundo eles, já foram cadastrados pela empresa para prestar o serviço na capital paulista.

Mesmo antes de iniciar as operações, a iniciativa já causa polêmica, já que o transporte de passageiros em motos, como os mototáxis, não é regulamentado em São Paulo. A prefeitura diz ser contrária à adoção do serviço. A empresa, contudo, deve aproveitar a brecha legal para iniciar a operação na cidade e promete buscar a Justiça, se necessário, para ter o direito de prestar o serviço.

Segundo o presidente da T81, Josival de Melo Júnior, a ideia agora é levar o serviço, que já tem forte adesão em cidades médias do Nordeste, para os grandes centros do país. "É um tipo de serviço que sempre vai ter demanda. Às vezes, a pessoa está atrasada para um compromisso ou vai perder um voo, chama a moto que vai chegar na hora."

O Uber já testa o modelo em cidades como Bangkok, na Tailândia, mas ainda não pensa em adotá-lo no Brasil.

Além do serviço em motos, T81 também vai disponibilizar a tradicional a opção de transporte de passageiros em carros e o mercadorias. E promete diferenciais em relação ao concorrente Uber, como o pagamento das corridas com dinheiro e tarifas fixas.

ACIDENTES

Para associarem-se ao aplicativo, os motociclistas terão que se adequar a uma série de regras. Eles terão controle de velocidade por GPS e não poderão ultrapassar 60 km/h. Também terão que disponibilizar touca higiênica descartável que o passageiro usará por baixo do capacete.

Especialistas, contudo, alertam que adoção das motos para o transporte de passageiros pode ter impacto na segurança do trânsito.

Segundo Luiz Célio Bottura, engenheiro e consultor em transporte, o risco para o passageiro transportado numa moto é muito maior do que em um carro. "O índice de acidentes, comparando o número relativo, é muito mais alto", diz.

A T81 afirma que, por atuar como um facilitador de contato entre o passageiro e o motorista, não tem responsabilidade civil no caso de acidentes com passageiros. Mas diz exigir que os motoristas estejam em dia com o seguro DPVAT, que cobre acidentes de trânsito, não tenham antecedentes criminais e estejam regulares junto ao Detran.

"O risco existe como em qualquer atividade, mas garanto que nossos motoristas são capacitados", afirma o presidente da T81.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo diz ser contrária à adoção do serviço por causa "dos riscos que esse tipo de transporte acarretaria aos cidadãos numa cidade com as características de São Paulo".

A atividade de mototaxista é reconhecida desde 2009 por lei federal. A regulamentação da lei, contudo, cabe aos municípios. São Paulo é uma das cidades onde a lei não foi regulamentada, criando um "vazio legal" sobre o assunto. No Recife, por exemplo, o serviço está proibido –por isso a T81 roda apenas nas cidades do entorno.

Para iniciar a operação com motos nas capitais onde atua, a T81 argumenta que o serviço que oferece é particular e, por isso, não deve ser enquadrado nas regras que regem o transporte público, seja ele por carros ou motos.

O presidente do sindicato dos taxistas de São Paulo, Natalício Bezerra, critica a adoção da nova modalidade e diz que a chegada da empresa vai prejudicar os 40 mil taxistas que atuam em São Paulo.

"Se não há uma lei que proíba [o transporte de passageiros em motos], é hora de criar e aprovar na Câmara Municipal. Moto não é lugar de transportar passageiro." 

domingo, 29 de maio de 2016

Sob pressão, Haddad libera táxi de luxo a pegar passageiros na rua

28/05/2016  - Folha de SP

Após reclamações de taxistas, a gestão Fernando Haddad (PT) decidiu liberar os chamados táxis pretos -mais luxuosos e que só poderiam atuar via aplicativos- a também pegar passageiros nas ruas da capital.

Para isso, os motoristas terão que instalar taxímetros e poderão colocar luminosos, algo também não previsto.

Com tarifa cerca de 25% mais cara do que os convencionais, os táxis pretos poderão ainda praticar a tarifa mais barata, igual à dos taxistas do modelo branco, cujos carros são mais simples.

Os motoristas de táxi preto foram os que mais reclamaram da recente legalização do Uber, com o argumento de que desembolsaram R$ 60 mil no alvará e investiram cerca de R$ 80 mil para comprar modelos de carro exigidos.

Muitos deles procuraram a Secretaria Municipal de Transportes para dizer que estavam endividados.

COMPETIÇÃO

O táxi preto foi criado no ano passado justamente para concorrer com o Uber Black -modelo mais luxuoso e mais caro do aplicativo que conecta motoristas particulares a passageiros.

Quando o novo modelo foi criado por Haddad, o Uber funcionava por meio de liminar na Justiça e sem regulamentação municipal.

A revolta dos taxistas é motivada pelo fato de os motoristas do Uber não terem sido obrigados a pagar uma licença para atuar, por exemplo, numa espécie de concorrência desleal, segundo eles.

De acordo com o secretário Jilmar Tatto (Transportes), a maior parte dos cerca de 1.700 profissionais que atuam com táxi preto eram motoristas que alugavam irregularmente seus alvarás e viram a chance da própria licença.

"Por isso, muitos tiveram dificuldades [financeiras] para entrar no mercado", disse.

A prefeitura sorteou 5.000 alvarás, mas nem todos conseguiram entrar no negócio por falta de dinheiro.

A administração acredita que, com a liberação para pegar passageiros nas ruas, os taxistas não ficarão parados à espera de chamadas.

Para evitar isso, aplicativos de táxi passaram a acionar os modelos pretos mesmo para quem pedia os brancos. Mesmo assim, segundo taxistas, a desvantagem continua.

No último dia 14, o prefeito autorizou funcionários da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico a acionar os táxis pretos.

O serviço funcionará por período experimental de três meses, só para esta secretaria. Porém, o mesmo decreto diz que o modelo poderá ser ampliado para os demais órgãos da prefeitura, caso a experiência dê certo e gere economia. 

sábado, 21 de maio de 2016

Uber inicia testes de rua com carro autônomo

20/05/2016  - O Globo

RIO — Se os taxistas sentiram a concorrência dos motoristas do Uber, devem se preocupar ainda mais com um anúncio feito nesta quinta-feira. A companhia iniciou os seus primeiros testes de rua com carros autônomos, na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia. A tendência é que no futuro próximo, imensas frotas desses veículos ofereçam uma nova modalidade de transporte público individual, mais eficiente e seguro que os táxis atuais.

O carro sendo testado é um Ford Fusion híbrido, equipado com sensores que incluem radares, scanners a laser e câmeras de alta resolução. Ao circular pelas ruas de Pittsburg, o veículo testa suas capacidades autônomas e coleta dados para mapeamento da cidade. Os testes são conduzidos com um motorista profissional preparado para assumir o controle em caso de emergência.

“Carros autônomos têm o potencial de salvar milhões de vidas e melhorar a qualidade de vida de pessoas em todo o mundo. 1,3 milhão de pessoas morrem todos os anos em acidentes automobilísticos, sendo que 94% dos casos envolvem erro humano”, diz a companhia, em comunicado. “No futuro, nós acreditamos que esta tecnologia vai significar menos congestionamentos, transporte mais acessível e muito menos vidas perdidas”.

Os testes são conduzidos com o apoio da prefeitura local. O objetivo é garantir que a tecnologia está pronta para aumentar a segurança de todos no trânsito: pedestres, ciclistas e outros motoristas.

O anúncio acontece um dia depois de um fotógrafo ter flagrado um Chevy Bolt autônomo circulando nas ruas de São Francisco, na Califórnia. A GM, fabricante do veículo, fechou parceria recentemente com o Lyft, concorrente do Uber, para a criação de uma frota autônoma.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Cavalos deixam de puxar as charretes de Paquetá

19/05/2016  - O Globo

Os cavalos que puxam as tradicionais charretes de Paquetá vão sair de circulação hoje e, no sábado, a prefeitura promete entregar os carros elétricos aos profissionais que usavam os animais para o transporte público de passageiros na ilha. A troca promete render polêmica no bucólico bairro, onde há grupos contra e a favor da mudança, que foi negociada durante dois anos entre os charreteiros e a Comissão de Proteção aos Direitos dos Animais da OAB-RJ.

Até a tarde de ontem, alguns moradores ainda tentavam impedir o início da circulação de carros elétricos. Em reunião na prefeitura, eles disseram que podem fazer protestos e até tentar impedir o desembarque dos novos equipamentos. A ilha receberá 17 veículos, comprados por cerca de R$ 1 milhão da empresa Davanti. Quem é contra a medida alega que ela vai descaracterizar o uso do espaço público do bairro, onde é proibida a circulação de veículos automotores.

Além da OAB-RJ, no bairro há um grupo favorável à troca. Ele alega que os animais são maltratados pelos charreteiros e, mesmo em condições ideais de abrigo, alimentação e atendimento veterinário, o uso dos cavalos como força motriz é danoso.

O advogado da Associação de Charreteiros de Paquetá, José Carlos Ribeiro, admite que não há como garantir a acomodação adequada dos cavalos.

Assim como em Paquetá, em Petrópolis também há um movimento pelo fim das charretes, lá conhecidas como Vitórias. Na semana passada, um cavalo caiu e ficou preso ao veículo pelo pescoço.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Taxistas de Campinas dizem que perderam 80% dos clientes em 3 meses por causa do UBER


25/04/2016  - Paulínia News

Após quase três meses de operação em Campinas, o Uber tem provocado polêmicas na cidade. Registro de brigas entre taxistas e motoristas parceiros do aplicativo e manifestações contra o serviço de transporte têm sido frequentes na cidade.

Assim como em outros lugares do país, o motivo da resistência ao Uber é a redução no número de usuários de táxi. Segundo o presidente do Sindicato dos Taxistas de Campinas, Jorge Pansani, houve uma queda expressiva na quantidade de corridas.

“O impacto [da chegada do Uber] está sendo desastroso. À noite o movimento caiu 80%, pois há mais 400 ubers atuando no período”, diz.

Para o sindicalista, o serviço só trouxe problemas para a cidade. “É um perigo para a população. Quem é esse motorista? Ele tem um atestado de antecedentes? Não. Eles não têm taxímetro, não fazem vistoria e nem passam pelo Ipem (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo) ”, diz.

A assessoria rebate as declarações de Pansani. “Antes de aprovar um motorista como parceiro da Uber, é feita uma checagem de antecedentes nas esferas federal e estadual para verificar a idoneidade do candidato. Ele precisa ser um motorista profissional, ou seja, deve possuir carteira de motorista com licença para exercer atividade remunerada. Todos os documentos dos carros também são checados. É necessário apresentar a Certidão de Registro e Licenciamento do Veículo, Bilhete de DPVAT do ano corrente e apólice de seguro com cobertura APP (Acidentes Pessoais a Passageiros) a partir de R$50 mil por passageiro".

Em fevereiro deste ano, a Câmara Municipal formou uma comissão especial para discutir a situação do serviço na cidade e, de acordo com o presidente do colegiado e vereador, Tico Costa, os trabalhos estão adiantados.

“A discussão na comissão se encerrou. O relatório, que vai sugerir a regulamentação do Uber na cidade, está sendo elaborado e será enviado ao executivo. Acredito que em pouco mais de uma semana o relatório seja apresentado”, afirma.

De acordo com o vereador, a solução encontrada pela comissão é algo semelhante ao que vem sendo proposto em São Paulo, onde a Prefeitura propôs que o Uber compre quilometragens da administração municipal para poder atuar.

“A gente pegou algumas coisas de lá (São Paulo) e tem outras coisas que utilizamos de projetos que estão em tramitação no Senado”, diz.

O sindicato dos taxistas é contrário à regulamentação. “Somos contra porque, em primeiro lugar, o Uber não aceita regulamentação nenhuma. Em São Paulo, eles colocaram cinco mil licenças à disposição deles e a empresa não pegou. Eles não aceitam regulamentação de poder público nenhum.  A solução é que eles participem de uma licitação pública para ter um táxi”, diz Pansani.

Consultado sobre a declarações do sindicalista, a assessoria de imprensa do Uber diz que a empresa sempre se mostrou disposta a regularizar o serviço no país.

“Desde que chegou ao Brasil, a Uber mantém diálogo aberto e constante com o Poder Público das cidades nas quais opera, para que elas criem uma regulação moderna e positiva para serviços como os oferecidos pela empresa. As cinco mil vagas criadas pela Prefeitura de São Paulo foram exclusivamente destinadas para o que é chamado de "Táxi Preto" (serviço de transporte individual público), o que não deve ser confundido com o serviço de transporte individual privado de passageiros”, diz a assessoria.

Fiscalização

Como o serviço é considerado clandestino, a Empresa de Desenvolvimento Muncipal de Campinas (Emdec), responsável pelo trânsito na cidade, tem feito apreensões de carros a serviço do Uber. De acordo com a entidade, desde janeiro foram feitas 23 apreensões e 40 denúncias foam recebidas sobre o serviço. Além de ter o carro apreendido, o motorista que é flagrado a serviço do Uber tem que pagar uma multa de R$ 3,1 mil.

No entanto, Pansani diz que o problema é que o orgão não faz fiscalização durante a noite, período no qual há um maior uso do aplicativo.

“Nós conseguimos uma liminar e entregamos para a Emdec para que faça fiscalização. Transporte privado não é pra fazer serviço remunerado. A categoria está revoltada com o poder público, porque à noite não tem fiscalização”.

Em nota, a Emdec diz que planeja e coordena o trabalho dos agentes da mobilidade urbana de forma que seja realizada uma fiscalização com a máxima eficácia. No entanto, não comentou nada sobre as fiscalizações noturnas no comunicado.

Agressões

Quanto aos incidentes envolvendo brigas entre taxista e Uber, Pansani nega que haja um comportamento agressivo dos taxistas.

“Os taxistas não estão praticando agressão. Quem tá praticando a agressão são os motoristas do Uber. Ninguém tem sangue de barata. Eles nos provocam, fazendo gestos obscenos e rindo da nossa cara no trânsito”, reclama.

A assessoria do Uber nega tal comportamento por parte dos seus parceiros e diz que orienta para que eles não entrem em conflitos.

"A Uber considera totalmente inaceitável o uso de violência. Todo cidadão tem o direito de escolher como quer se mover pela cidade, assim como o direito de trabalhar honestamente. Em todas as nossas comunicações com motoristas parceiros, reiteramos repetidas vezes para que não se envolvam em brigas e discussões e que contatem imediatamente as autoridades policiais, sempre que se sentirem ameaçados”.

Mudança de estratégia

Após alguns protestos contra o aplicativo, o presidente do sindicato diz que tem desestimulado a categoria a fazer manifestações. Um ato marcado para o dia 13 de abril no Centro de Campinas foi esvaziado, pois, de acordo com Pansani, ele orientou os motoristas a não participarem do evento.

“O sindicato não participou dessa manifestação. Eu conversei com o pessoal para não participarem dessa manifestação, porque essa manifestação ia colocar a população contra os taxistas. Em respeito à população de Campinas, pois não está adiantando fazer manifestação. O poder público tem a lei que foi aprovada pelos vereadores, sancionada pelo prefeito. Eles têm que fazer com que seja cumprida”.

Ganhos

Parceiro do Uber há dois meses, Jorge Telles se diz muito satisfeito com o novo trabalho. “Eu estou amando, estou achando sensacional, maravilhoso. Uma oportunidade de ganhar dinheiro".

Ex-vendedor, Telles estava há oito meses desempregado. Segundo ele, tem conseguido uma renda similiar a do seu antigo trabalho. “De 100% que você ganha, 25% é do Uber e 75% do motorista parceiro. Trabalhando de segunda a sábado, dez horas por dia, eu consigo tirar uns R$ 6 mil, sendo que R$ 1,5 mil eu gasto com gasolina, manutenção do veículo e pedágio, mas ainda consigo levar para casa uns R$ 4,5 mil”.

Já o auxiliar de táxi Francilei Rodrigues tem uma realidade diferente. Com a chegada do Uber, ele viu seu rendimento cair drasticamente. “Eu tinha uma média de fazer de 12 a 16 [corridas] por dia. Com a crise, caiu para nove e dez corridas. Com Uber eu faço seis corridas o dia todo. Caiu uns 60%. Tenho tirado uns R$ 1,2 mil por mês”, conta.

Para Rodrigues, a regulamentação o serviço é a única saída. “O que deve ter é uma fiscalização e um preço compatível para os dois trabalharem juntos. Ficou uma concorrência muito desigual”, reclama.

Usuário

O estudante de engenharia da Unicamp Bruno Queiroz, de 19 anos, é um dos usuários do Uber na cidade. Morador do distrito de Barão Geraldo, o jovem tem feito economia ao utilizar o serviço.

“Desde que chegou [o Uber] em Campinas, costumo usar sempre, porque é bem mais barato que o táxi”. Ainda segundo o estudante, o serviço tem facilitado a realização de tarefas que necessitam de deslocamentos pela cidade.

"Eu e meus amigos de faculdade pegamos [o Uber] muito para sair, principalmente quando sabemos que vamos consumir bebida alcoólica. Também usamos para ir no supermercado e para voltar da rodoviária”, explica.

Susto

Satisfeito com o serviço prestado pelo aplicativo, Bruno diz que a única vez em que teve problemas com o Uber foi quando taxistas assediaram ele e amigos por usar o transporte no bairro do Cambuí.

"A gente tinha saído de um bar. Como tínhamos ido de Uber, resolvemos voltar tarmbém. Como o lugar já tinha fechado as portas, a gente estava esperando na calçada. Nisso, quatro taxistas perceberam que a gente estava utilizando o aplicativo. Um deles se aproximou e perguntou pra gente se [nós] estávamos esperando o Uber. Por receio, eu disse que não. Na hora, já liguei alertando o rapaz do Uber. Então, ele pediu para que nós mudássemos de quarteirão, mas os taxistas seguiram a gente. Após entrarmos no Uber, um deles bloqueou nosso carro. O motorista desviou, mas os outros taxistas vieram atrás, cercando pelo lado e pela frente, avançando e acelerando de forma bruta. Foi igual perseguição de filme".

O ataque dos taxistas ao carro do Uber só terminou quando houve a intervenção da polícia, conta o estudante. Assustado com o episódio, Bruno diz que a atitude dos taxistas foi imprudente."Eles poderiam ter causado um acidente, pois colocaram a vida deles, dos meus amigos, do motorista do Uber e a minha em risco".

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Aplicativo permite compartilhar corridas de táxi

08/04/2016 - Easy Táxi / Mobilize

Easy táxi lança no Brasil sistema para que usuários possam usar o mesmo táxi e dividir os custos da corrida

 Autor: Marcos de Sousa 


Aplicativo permite compartilhamento de corridas de
Aplicativo permite compartilhamento de corridas de
EasyShare: até quatro passageiros podem compartilhar táxi
créditos: EasyTaxi

A Easy Taxi anunciou ontem (7) o início de operação da ferramenta "EasyShare" para que vários passageiros possam compartilhar a mesma corrida de táxi. Segundo a empresa, o serviço permite que os usuários economize até 60% em seus gastos com táxi. O sistema funciona da seguinte forma: o usuário acessa seu aplicativo e na hora de pedir um táxi deve selecionar um ícone que automaticamente habilitará aquela corrida para ser compartilhada com outros usuários próximos e que tenham o mesmo destino.      

Quando acionada, a "EasyShare" permite que até quatro usuários possam compartilhar a mesma viagem. Para que o compartilhamento aconteça, os usuários precisam obrigatoriamente colocar o endereço de destino quando solicitarem seus táxis. O valor final da corrida é dividido entre os usuários que estiverem compartilhando o táxi, sendo assim, cada um poderá pagar a sua parte da corrida. Nesta fase inicial, o compartilhamento de corridas só é válido para corridas realizadas por pagamento "Empresas" ou "Cartão de Crédito no App".


Olimpíada

Segundo a operadora, a ferramenta ajudará bastante em eventos com grande número de público, como shows, jogos em estádio e eventos de grande porte, como a Olimpíada e Paralimpíada de 2016. “O mais relevante é o impacto de redução de carros na rua, o que contribui também com menos emissão de CO2. E muitas vezes uma corrida compartilhada custará quase o mesmo valor de uma viagem com outros meios de transporte, por exemplo, metrô ou ônibus” diz Fernando Matias, da Brasil Easy Taxi.

A empresa explica que o serviço de compartilhamento de corridas ainda está em sua fase inicial, e terá ainda mais novidades e melhorias nos próximos dois meses. Easy Share já começou a funcionar para usuários com sistema android e a partir desta semana estará disponível para usuários sistema iOS.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Uber deve começar a atuar em Salvador ainda em 2016

24/03/2016 - Agência Brasil

A empresa de transporte particular por aplicativo, a Uber, começou a avaliar motoristas em Salvador para fazer cadastros ainda este ano. Atualmente, a Uber faz transportes de passageiros em 261 cidades de todo o mundo. O prefeito da cidade, ACM Neto, no entanto, já sinalizou posicionamento contrário à circulação desse transporte alternativo na capital baiana.

Segundo a Uber, o cadastro dos motoristas que podem circular na capital baiana só vai ocorrer depois de uma avaliação. “[A avaliação] é feita em vários níveis. Inclui buscar talentos e compartilhar informações com os cidadãos que queiram ter uma nova oportunidade de renda com autonomia, flexibilidade e dignidade dirigindo na plataforma da Uber”.

Na última semana, o prefeito de Salvador, ACM Neto, divulgou novas regras para o funcionamento de táxis na cidade. Durante o evento, criticou o modelo de transporte praticado pela Uber. “Quero reafirmar o meu compromisso de trabalhar para combater a clandestinidade. Nós não podemos admitir que um pai ou uma mãe de família, que paga suas taxas e segue o regulamento, [passem por uma] uma competição desleal e injusta com quem está na clandestinidade, com quem não se submete às regras e não passa pelo crivo do poder público”, disse ele.

ACM anunciou a extensão do período para cobrança da bandeira 2 aos taxistas e defendeu a categoria: “Irei com unhas e dentes defender e proteger os taxistas, sempre que o interesse de vocês estiver em jogo”.

No Brasil, a Uber faz transporte alternativo individual de passageiros em 9 cidades: Brasília, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e em São Paulo, onde, em janeiro deste ano, houve confrontos entre motoristas da empresa e taxistas.

Repercussão

Compartilhado em sua página no Facebook, o discurso do prefeito dividiu opiniões. “O serviço de táxi em Salvador é muito precário. Muitos deles são despreparados e mal-educados. O Uber é um serviço que deveria ser regularizado”, defendeu o internauta Fábio Lucas. “Deveria se preocupar em regulamentar o Uber. Impossível pegar um táxi em Salvador em dia de evento”, disse o usuário do Facebook Felipe Mendonça.

Outros internautas saíram em defesa dos taxis: “Uber é concorrência desleal, haja visto que eles não têm os custos do taxista municipal. Creio que essa nova regulamentação deve contemplar isso”, disse Marco Antônio Paes. “Gente, essa prática de comércio do Uber não respeita os taxistas que são profissionais e pagam impostos e os pontos de táxis”, escreveu Natanael Yamamoto.

Em nota, a empresa Uber disse ser “completamente legal, já que os motoristas parceiros prestam o serviço de transporte individual privado, que tem respaldo na Constituição Federal e é previsto em lei federal (Política Nacional de Mobilidade Urbana – PNMU)”.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) divulgou estudo, no fim de 2015, feito em cidades brasileira onde já existe o sistema e onde não existe: “A entrada do aplicativo Uber no mercado brasileiro não influenciou de forma significativa o mercado de táxis nacional”. De acordo com o levantamento, “a empresa atende uma demanda reprimida, que não fazia uso dos serviços dos taxistas”.

A Uber é uma empresa norte-americana que credencia morotistas, depois de uma avaliação, para trabalharem com transporte particular, solicitado pelos clientes, por meio de aplicativo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Rio de Janeiro, Terça-feira de Carnaval

09/02/2015 - Grupo Facebook COPACABANA ALERTA

‎Por Claudia Fassh‎

No domingo, minha filha pegou um táxi na Visconde de Pirajá, depois da Banda de Ipanema, com destino a Bolivar. 1 quarteirão depois, 1 rapaz com uma pequena mala, fez sinal para o táxi, que prontamente parou. Foi oferecido 90,00 para ser levado até o Santos Dumont. O taxista simplesmente pediu que minha filha saísse do carro. Ela tem 17 anos,mas é inexperiente em situações desse tipo. Resumindo, foi deixada numa rua pouco movimentada , assustada e com outros táxis lotados. Meu marido teve que ir buscá-la. 

Viva o Uber !!!!'

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Serviço de transporte privado Uber começa a operar em Goiânia

29/01/2016 - G1 GO

A empresa de tecnologia Uber vai começar a atuar em Goiânia nesta sexta-feira (29). Na capital, deve ser implantado o serviço do uberX, no qual o motorista oferece carros com quatro portas, ar condicionado e com menos de sete anos de uso. O valor mínimo da corrida é de R$ 6. O serviço estará disponível a partir das 14h.

Para solicitar, o usuário precisa ter o aplicativo instalado no celular e informar sua localização. O próprio Uber identifica o motorista mais próximo e envia o nome e foto do condutor, a média da nota dele no aplicativo, modelo e placa do carro e também é possível estimar o valor da viagem. O motorista só tem informação sobre a localização do passageiro após aceitar a corrida.

O valor a ser cobrado pelo serviço tem uma base de R$ 2,50 pela chamada, mais os valores de percurso e tempo de corrida. Todos os pagamentos são feitos pelo cartão de crédito do usuário, que já é cadastrado no perfil dele no aplicativo. A Uber fica com 25% do valor de cada corrida e o restante fica com o motorista.

Ao final da viagem o usuário avalia o condutor e como foi a experiência. O passageiro também recebe um e-mail com todos os detalhes do trajeto. Para se manter no aplicativo, o motorista precisa ter uma avaliação de, no mínimo, 4,7 estrelas, sendo a máxima 5. Se o condutor tiver nota abaixo desse número, ele recebe feedbacks da própria empresa para melhorar. Se isso não acontecer, ele é excluído da plataforma. A nota média dos motoristas no Brasil é de 4,85.

A gerente de marketing Carolina Pajaro, de 30 anos, contou que já usou o aplicativo em outras cidades. "A praticidade, a segurança é a qualidade do serviço. O motorista abre a porta para você, te pergunta qual música você gostaria de ouvir, se a temperatura está adequada”, afirmou.

Carolina contou ainda que há cerca de um ano sofreu um acidente de trânsito, do qual ainda está se recuperando. Desde então, usa táxi diariamente para ir a todos os lugares.

"O serviço não é bom. Os carros são muito ruins, muitos taxistas não têm comportamento adequado no trânsito, não se preocupam muito com o cliente. Na última semana, no entanto, eu tenho notado um movimento diferente, alguns já se mostraram mais cuidadosos com a vontade do passageiro. Acredito que a tendência [com o Uber] é aumentar a competitividade, o que é muito saudável já que o mercado hoje é muito amador”, avaliou.

A psicóloga Ana Elizabeth Pícolo afirmou que também acredita que a chegada do Uber em outras cidades inspirou mudanças no serviço de táxi. "Acho que é uma concorrência saudável e funciona, pois não prejudica os taxistas. O usuário quer conforto e segurança para chegar ao destino. Tem esse lugar para o Uber em Goiânia, é uma cidade grande”, comentou.

Concorrência desleal

O taxista auxiliar Eudione Souza, de 25 anos, afirma que a concorrência não é justa. "Acho que seria bom para os clientes, a população, mas é uma concorrência desleal conosco, taxistas, que pagamos tantos impostos para realizar nosso serviço”, afirmou.

O também taxista Lucas Costa Oliveira, de 22 anos, concorda com o colega. "Não é justo porque não tem regulamentação, não tem fiscalização. Para alugar um carro de alguma cooperativa de táxi pagamos até R$ 190 para ficar 24h com o veículo, sem falar em combustível, alimentação”, disse.

No entanto, Oliveira reconhece que a categoria precisa passar por melhorias. "Acho que precisamos de mais qualificação, ter jornadas de trabalho menos intensas e mais estrutura para trabalhar, como locais com banheiros”, analisou.

O taxista permissionário José Maria Barbosa, de 46 anos, relatou que ainda tem dúvidas sobre a regulamentação do Uber. "Se um acidente acontecer, como fica? O seguro pode não aceitar. Nós somos regularizados pela prefeitura, mas e eles? O serviço de táxi já é um trabalho de confiança, que existe há muitos anos e a população já conhece. Mesmo assim, pode fazer com que o serviço de táxi seja mais profissional, melhor qualificado”, ponderou.

Motoristas certificados

O diretor de comunicação da Uber no Brasil, Fábio Sabba, explica que para se tornar um motorista cadastrado na plataforma a pessoa precisar ter permissão para dirigir como atividade remunerada e fornecer duas certidões de antecedentes criminais, nos âmbitos estadual e federal.

 "Nós fazemos uma checagem dos antecedentes de todos os interessados e ainda checamos em todos os diários oficiais do Brasil para saber se a pessoa realmente não tem nenhum processo criminal aberto contra ele. Além disso, todas as viagens são rastreadas por GPS e o usuário pode enviar, a através do aplicativo, um link para quem ele quiser, que permite que essa pessoa acompanhe o trajeto e saiba o tempo que ele vai levar até o destino”, pontuou.

Para ser cadastrado na plataforma o condutor também precisa ter toda a documentação do veículo em dia e um seguro que cubra ele e o passageiro, em caso de acidentes, com valor mínimo de R$ 50 mil. As avaliações dos passageiros também são uma forma de "fiscalizar” a qualidade do serviço prestado.

"Essas notas e toda essa responsabilização, de saber com que está indo, com quem para onde também faz com que o motorista pense como um empreendedor, ele é como o dono de uma venda que sabe que se ele atende bem, o cliente vai voltar. Então ele sempre procura atender bem, mais gente deixa de usar carro, o mercado cresce e ele ganha mais dinheiro”, afirmou.

Sabba comentou ainda que os horários de trabalho são estipulados por cada motorista e eles só pagam a porcentagem para a empresa se trabalharem. "Alguns veem o Uber como uma opção para complementar renda e trabalham poucas horas por dia, outros que estão planejando algum gasto maior e querem juntar dinheiro para um fim especifico têm horários mais curtos e, também, aqueles que fazem turnos mais longos, como um trabalho", disse.

Legalidade

O diretor esclareceu ainda que o serviço prestado pela empresa é legal e previsto pela Lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNUD) número 12.587/12, na qual o aplicativo Uber é considerado um serviço de transporte privado. Ainda conforme Sabba, em muitas cidades onde o Uber já existe estão sendo criadas novas medidas para regularizar o tipo de serviço oferecido pela empresa.

O G1 tentou entrar em contato com a prefeitura de Goiânia para saber se existia alguma proposta de regulamentação do serviço, mas as ligações não foram atendidas e o e-mail enviado não foi respondido até a publicação desta reportagem.

Espaço

Fábio Sabba afirmou, ainda, que existe muito espaço para o Uber na capital goiana. "Notamos que, em Goiânia, tem muita gente que tem carro e muita gente que já tem o aplicativo e usa em outras cidades, ou até que já baixou, mas porque está esperando sair aqui”, afirmou.

Goiânia é a sétima cidade a receber o serviço, depois de Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Campinas. Conforme Sabba, a empresa avaliou número de motoristas interessados em se tornar parceiros e a quantidade de pessoas que já têm o aplicativo.

No entanto, a empresa não divulgou número de carros ou de usuários da capital goiana. No Brasil, existem 10 mil motoristas cadastrados e mais de 1 milhão de pessoas que têm o aplicativo desde que a empresa chegou ao país, em 2014.

"O mercado que a gente cria é de pessoas que deixam o carro em casa e começam a usar o Uber porque é mais cômodo, mas confortável e mais barato. No nosso site o usuário pode calcular, com base no que ele gasta com o carro e quantos quilômetros ele roda, se é mais vantajoso ou não ele usar o serviço”, completou o diretor.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Sindicalista dos taxistas de SP diz que a palhaçada acabou e que agora é cacete

29/01/2016 - Folha de SP

O presidente do Simtetaxis (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo), Antonio Matias, postou um vídeo em uma rede social no qual afirma que o prefeito Fernando Haddad (PT) não cumpre o compromisso firmado com os taxistas e que a palhaçada na cidade acabou e, agora, é cacete.

O vídeo (assista abaixo) foi postado horas depois de o prefeito afirmar, na manhã desta quinta-feira (28) que os taxistas "vão desaparecer pela concorrência predatória" se eles não aceitarem a regulamentação do aplicativo Uber na cidade.

O prefeito afirmou ter dito isso em diversas reuniões com representantes da categoria para explicar a dificuldade de fiscalizar algo que não é regulamentado. "Quando o transporte coletivo era clandestino, você tinha pontos de parada [para fiscalizar], mas uma nuvem é difícil. Se existe a possibilidade dessa empresa de regular, então vamos fazer isso", disse.

No vídeo, Matias diz estar aborrecido com a declaração dada por Haddad e que o prefeito não deve brincar com os taxistas. "Não brinque com essa categoria, respeito é bom e os taxistas merecem. (...) Não queira briga com esse presidente. (...) A Uber não vai trabalhar em São Paulo. Ela só vai trabalhar se for em modal táxi. No carro particular nós não vamos permitir. O senhor disse que não pode fiscalizar as nuvens, então, mande tirar das nuvens. Ocupe seu lugar de excelência. (..) Somos bem antes do Uber."

O presidente do Simtetaxis disse que estará na "cola" do prefeito, que tem como fiscalizar e que a palhaçada na cidade acabou e, agora, é cacete. "Tem como fiscalizar, só nós já prendemos mais de 250 carros junto com fiscais do DTP [Departamento de Transportes Públicos]. Se o senhor não sabe é porque o departamento do senhor é corrupto. Acabou a moleza prefeito Haddad. Chega de palhaçada nessa cidade. Agora é cacete. Ou regulamenta os aplicativos certos para trabalhar com táxi ou vão trabalhar fora dessa cidade."

Essa não é a primeira declaração polêmica dada pelo sindicalista sobre a regulamentação do Uber. Em junho do ano passado, Matias disse: "Não temos como conter a categoria", "vai ter morte", durante uma audiência na Câmara dos Deputados.

Antônio Raimundo Matias dos Santos, conhecido como Ceará, queria pressionar os deputados federais contra a liberação desse serviço -visto como concorrência desleal pelos taxistas. "Eu quero dizer aos nobres deputados para que tomem providências porque, se não tomarem, não temos como conter a categoria", disse Ceará, na ocasião.

O "recado" dele, mais tarde, foi reforçado por outro representante da categoria, que voltou a falar na possibilidade de essa disputa por passageiros resultar em violência. "Pode ocorrer sim uma desgraça porque os motoristas estão revoltados. Um grupo veio falar comigo para dizer que, se a lei não fiscalizar esses clandestinos, eles vão tomar uma atitude. Hoje ele [Santos] deu o recado", disse Natalício Bezerra, presidente do Sinditaxi (Sindicato dos Taxistas Autônomos de SP), também presente na audiência.

TUMULTO EM FESTA

Logo após a divulgação do vídeo, um grupo de taxistas abordou os carros pretos que pararam em frente ao hotel Unique, nos Jardins, onde ocorria o baile de Carnaval da revista "Vogue", entre às 22h desta quinta (28) e a madrugada desta sexta-feira (29). A medida visava inibir os convidados que deixavam o local de utilizar os serviços do aplicativo Uber.

Uma jovem que trabalha em um bar próximo, que não quis ser identificada, disse que um grupo de 15 a 20 taxistas cercava todos os carros pretos que paravam perto do hotel.

Segundo a jovem, bastava alguém gritar a palavra Uber para um grupo de 15 a 20 taxistas correr em direção ao carro preto, xingar e hostilizar o motorista. "A sensação de medo e insegurança só aumentava toda vez que eles corriam, subiam em cima dos carros e jogavam pedras", falou, aliviada de ter conseguido chegar em casa em segurança.

A Polícia Militar informou que mais de 200 taxistas participaram do protesto. O capitão Edenilson Gabriel de Freitas, supervisor regional da região oeste, falou que houve um tumulto entre taxistas e motoristas do Uber. Após uma conversa com os manifestantes, o capitão garantiu que entrou em acordo com o grupo e o protesto ficou pacífico.

Antes do acordo, um fotógrafo ficou ferido e um carro foi depredado por um grupo de manifestantes. O autônomo Francisco Carlos Indalecio, dono do Ford Fusion danificado, disse que não trabalha para o Uber e que tinha ido levar alguns amigos da filha à festa.

"Dei a volta no quarteirão e parei o carro para telefonar. Uns dez taxistas gritaram 'é Uber' e começaram a depredar o carro", explica Indalecio no 14º DP (Pinheiros), onde registrou um boletim de ocorrência. O para-brisa e um retrovisor foram quebrados, mas eram visíveis as marcas de depredação em todo o carro.

Um taxista detido sob suspeita de ter participado do ataque ao carro foi levado à delegacia, mas foi liberado após o autônomo não conseguir reconhecê-lo. Os taxistas se defenderam afirmando que a confusão toda começou após um motorista do Uber jogar pedras contra um carro do grupo. Segundo os manifestantes, ao menos três táxis foram danificados.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Tuc Tucs goianos deixam crise para trás

19/01/2016 - Fato Online

Que tal circular as ruas de pedra de uma cidade com arquitetura colonial, no interior de Goiás, a bordo de um Tuc Tuc, os famosos triciclos muito comuns na Índia? Despertou curiosidade, não? Pois essa é a mais recente aposta de empresários da cidade goiana de Pirenópolis, localizada a cerca de 140 km de Brasília, para atrair mais turistas e incrementar uma das principais atividades econômicas do local.

São quatro veículos, por enquanto, que transportam até dois passageiros. Há duas opções aos visitantes: o passeio de 30 minutos pelos principais pontos turísticos ou o simples deslocamento entre um ponto e outro da cidade.

A novidade começou no início de dezembro de 2015 a partir da necessidade de transporte dos visitantes, conta o empresário Geovane Ribeiro, um dos idealizadores. "Nos últimos anos, aumentou muito a demanda por táxi e junto com a dificuldade de estacionamento, especialmente no centro”, lembra. Aí, veio a ideia de utilizar os Tuc Tuc como alternativa de transporte. Além de pequenos e econômicos, são charmosos e despertam a atenção dos turistas, tornando-se um diferencial para a cidade.

Em meio ao agravamento da crise econômica no ano passado, a ideia foi abraçada por empresários de Pirenópolis, como donos de restaurantes e de pousadas, que se encarregam de fazer a divulgação do serviço entre os seus clientes.

No caso de passeios turísticos, foi feita parceria com a associação de guias turísticos do município, que combinam o conhecimento que têm da cidade com o papel de motorista. O cálculo básico dos organizadores é que cada Tuc Tuc permite a geração de pelo menos três empregos, já que são três turnos de trabalho. Os atuais quatro veículos devem se somar a outros seis,  até o fim do ano. Essa é a meta dos idealizadores.

A ideia foi uma forma criativa de ajudar a diminuir o problema da mobilidade urbana e, ao mesmo tempo, agregar valor ao turismo do município de 22 mil habitantes. Como a criatividade é apontada como a saída para os momentos de crise econômica, iniciativas como essa podem determinar a sobrevivência ou não de negócios.

O ambiente econômico exige criatividade de empresas e de trabalhadores, que precisam também de uma característica adicional: a persistência, indispensável para empreender. E o mundo dos negócios exige estar atento e aberto a oportunidades, além de encontrar brechas para crescer na dificuldade. Que venham mais Tuc Tucs!