terça-feira, 28 de julho de 2015

Rio tem três vezes mais táxis do que prevê lei de 2011, que pretendia reduzir veículos

28/07/2015 -  Extra - RJ

Para os taxistas que reivindicam o fim da "carona remunerada", o inimigo tem nome: Uber. Administradores do aplicativo — que oferece serviço de transporte em carro preto, com condutor trajando roupa social e que aceita até cartão de crédito — não informam quantos veículos rodam na cidade. Alguns motoristas que atuam no segmento dizem ser cerca de 600, enquanto para outros chegam a 1.500. Mas a guerra por passageiros é mais antiga e coloca amarelinho contra amarelinho. Hoje, o número de táxis autorizados a circular no Rio é três vezes e meia maior do que o previsto na legislação.

A Lei Complementar 111/2011, que institui o Plano Diretor do Rio, previa um táxi a cada 700 habitantes. Com 6.453.682 moradores, segundo o IBGE, e 33 mil táxis, segundo a prefeitura, a proporção atual é de um amarelinho para cada 195 moradores.

Para o presidente da Associação de Assistência ao Motorista de Táxi do Brasil (Aamotab), André de Oliveira, a má distribuição de veículos pela cidade é que dava a impressão de que havia táxis em excesso nas ruas. A situação, segundo ele, mudou após os motoristas de praça passarem a recorrer a aplicativos, como o 99 Táxis e o Easy Táxi, que proporcionaram melhor distribuição da demanda, a partir de 2002.

— Parece que tem muito táxi nas ruas, mas sempre foi tranquilo, pois nem todos estão rodando ao mesmo tempo. Mas agora a situação mudou. Estamos perdendo as corridas boas — reclama Alex Sales França, de 45 anos, com mais de 15 na praça, que acusa o Uber de "concorrência desleal".

Fábio Sabba, porta-voz da Uber no Brasil, nega.

— A Uber oferece transporte privado individual e o único jeito de você conseguir um carro é por meio do aplicativo, no smartphone, após o cadastro com as informações de cartão de crédito. O táxi da Uber só vai até o usuário quando solicitado, o que é diferente do funcionamento de táxis.

Uma emenda ao Plano Diretor do Rio previa, em 2010, a extinção de 23 mil dos 32 mil táxis que rodavam na cidade, na época. A ideia era não conceder novas permissões até ser atingida a proporção de um táxi para cada grupo de 700 habitantes.

A prefeitura admite que, de lá para cá, em vez de reduzir, a frota de táxis aumentou, mas por causa de decisões judiciais. Algumas determinaram que se passassem de pai para herdeiros as permissões.

Um projeto de lei complementar, que tramita na Câmara Municipal desde 2013, prevê o contrário. Quer adequar o número veículos à realidade atual, de um táxi para cada 195 habitantes. Para o presidente da Aamotab, André de Oliveira, o Plano Diretor se baseou numa realidade que não era a carioca.

— Se baseou em dados da Europa — afirmou.

Apesar do grande volume de táxis nas ruas, especialistas acreditam que a chegada do Uber não prejudica amobilidade. Há os que acham até que pode melhorar.

— O carro do Uber tira de 10 a 15 veículos, por dia das ruas — calcula o professor Ronaldo Balassiano, do Programa de Engenharia de Transporte da Coppe/UFRJ.

Para Balassiano, o serviço oferecido pelo aplicativo, atrai pessoas que preferem deixar o carro na garagem e deve ser regulamentado. Já Marcos Poggi, especialista em análise de mobilidade não vê muita mudança.

— Pode piorar , mas só se o taxista ficar rodando em busca de passageiro — disse.

Já para a Secretaria municipal de Transporte, a falta de regulamentação e de informações sobre frota e motoristas, além de colocar o serviço na clandestinidade atrapalha o planejamento do trânsito e oferece risco à população. O órgão diz que toda a frota terá vida útil de seis anos até 2016 e estuda criar aplicativo que permita ao usuário avaliar o serviço.

Confira a nota da Secretaria Municipal de Transportes na íntegra:

"A Secretaria Municipal de Transportes informa que, em 2012, a Câmara Municipal aprovou a Lei Nº 5.492, que proíbe a emissão de novas autorizações e garante a permanência das autorizações já concedidas.

A mesma lei garante a cessão de direito de uso a terceiros e de transferir o direito de uso, em caso de falecimento, para o cônjuge.

Cria também o direito de o auxiliar com maior tempo de serviço à autorização que venha a ser cassada pro município.

As últimas concessões foram feitas por conta da Lei 3.123/00, que ficou conhecida com a lei das "Diárias Nunca Mais". A lei permitiu que todos os taxistas auxiliares fossem transformados em permissionários. À época, 15 mil permissionários estavam aptos a receber a permissão.

Em respeito à Lei 5.492, as transferências permitidas por ela estão sendo feitas. Na mais recente cerimônia, no dia 2 de julho, foram assinados 44 processos de transferência por falecimento do cônjuge. De janeiro até o ultimo dia 2, foram assinadas 88 transferências - alguns processos estavam parados desde os anos 2000."

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Em dia de protesto, motoristas do Uber trabalham descaracterizados para evitar conflitos com taxistas

Companhia oferece viagens gratuitas no valor de até R$ 50 aos seus usuários nesta sexta-feira

POR DARLAN AZEVEDO

24/07/2015 - O Globo

RIO - Para evitar conflitos com taxistas que promovem uma mega manifestação desde o início da manhã desta sexta-feira no Rio, os motoristas do aplicativo Uber estavam trabalhando descaracterizados. Segundo um dos funcionários da empresa, a orientação era para manter o serviço ativo, apesar dos protestos dos taxistas:

— Nos pediram apenas para não usarmos o uniforme, nem o boné, pois os taxistas estão nos hostilizando. Todos os motoristas estão descaracterizados — contou o motorista, que afirma ainda que a demanda nesta sexta-feira está alta.

Pela manhã, quem tentava pedir um carro do serviço no Centro do Rio encontrava dificuldades. Um dos motivos para a grande procura, além da manifestação dos taxistas, era a promoção que foi anunciada pela empresa, que oferecia corridas gratuitas. O usuário que digitasse o código "RIONAOPARA" ganhava duas viagens de R$ 50 para usar entre 7h e 19h.

De acordo com Fabio Sabba, porta-voz do Uber no Brasil, a empresa também suspendeu nesta sexta-feira o chamado "preço dinâmico" que a empresa institui em ocasiões em que a demanda por seus motoristas é maior que a oferta — nessas situações, o valor das suas corridas sofre um aumento até que a oferta se normalize.

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Em nota, a Uber afirma que "defende que os usuários têm o direito de escolher o modo que desejam se movimentar pela cidade". A nota acrescenta que no Rio, "que tem uma população que precisa de opções de transporte e que recebe milhares de turistas de todo o mundo anualmente, a inovação é crucial para que a cidade fique cada vez mais conectada, transparente e inteligente". A Uber encerra a nota dizendo que "acredita que é possível trazer uma série de melhorias para a sociedade, gerando novas oportunidades de negócio para milhares de motoristas parceiros e ao mesmo tempo oferecer novas opções de mobilidade urbana".

Um motorista, que preferiu não se identificar, contou que em alguns lugares onde foram registradas confusões os carros não pararam. Além disso, a orientação da empresa era não revidar.

— Certos lugares que estão com confusões a gente não está parando. A orientação é para não revidar. Caso sejam hostilizados, os motoristas devem se reportar aos advogados da empresa — disse.

Ainda de acordo com o motorista, que trabalhou durante 14 anos como condutor de ônibus, a Uber estaria pagado um bônus para quem está trabalhando nesta sexta-feira:

— Estou precisando de dinheiro. Eestou me arriscando para trabalhar hoje só pela necessidade. O dia está muito bom para nosso trabalho. Os descontos de hoje só funcionam para os clientes. Na prática, nós continuamos recebendo o valor da corrida. Além disso, hoje não estamos sendo descontados os 20% que a empresa cobra, como também ganhamos uma bonificação de 30% a mais por cada corrida — afirmou um motorista do Uber, que preferiu não se identificar.


Manifestação de taxistas no Aterro do Flamengo contra o aplicativo Uber - Pablo Jacob / Agência O Globo

Segundo o motorista, a empresa entrou no mercado pela qualidade. Um dos motivos, por exemplo, seria de que taxistas negam corridas curtas, e o aplicativo não permite fazer isso. Além disso, o motorista afirma que a empresa paga todo tipo de reparo nos veículos em caso de batidas ou mesmo ações de vandalismo provocadas por taxistas, subsidiam as multas por eventual fiscalização dos órgãos públicos. Mas o padrão de exigência de alto:

— Se eu perder uma estrela do meu padrão de qualidade (são 5 no máximo), eu preciso dar explicações aos superiores. Se não for muito convincente, volto para o curso de reciclagem — afirma.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/em-dia-de-protesto-motoristas-do-uber-trabalham-descaracterizados-para-evitar-conflitos-com-taxistas-16933138#ixzz3gqM47VHx 
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Alvo de taxistas, Uber opera em mais de 300 cidades de 58 países

Empresa enfrenta protestos e governos ao redor do mundo, mas em cinco anos já vale US$ 50 bilhões

24/07/2015 - O Globo


Candidatos a motorista no Uber precisam de carro de luxo e carteira profissional - SPENCER PLATT / AFP

RIO — Criado em junho de 2010, em São Francisco, na Califórnia, o Uber se apresenta como uma plataforma tecnológica que une motoristas e passageiros. A empresa é considerada uma das start-ups de maior sucesso no mundo, com valor de mercado aproximado de US$ 50 bilhões. Atualmente, atua em cerca de 300 cidades, de 58 países, incluindo as brasileiras Rio, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. A companhia não divulga muitos números sobre a sua atuação, mas afirma que, em fevereiro, mais de um milhão de viagens foram feitas pelo serviço. O objetivo para este ano é alcançar a marca de um milhão de motoristas cadastrados.

Taxistas fazem manifestação contra o aplicativo Uber em vários pontos do Rio

Mas o sucesso não veio sem polêmicas. Alvo da ira de taxistas em várias cidades do mundo, o aplicativo já foi banido de algumas praças. O caso mais recente aconteceu na França. Após protestos no fim do mês passado, o governo de Paris baniu o serviço UberPop, oferecido com carros mais populares e preços menores, que compete diretamente com o táxi. Em São Paulo, a câmara municipal aprovou em junho, em primeira votação, a proibição do aplicativo.

A categoria acusa os motoristas que fazem uso do Uber de concorrência desleal. Por não ser regulamentado, eles usam carros particulares comuns para fazer o transporte de passageiros, o que é vetado pela legislação do país. Por sua vez, o Uber argumenta que a plataforma apenas une motoristas profissionais aos usuários.

— O candidato a trabalhar com a plataforma precisa de autorização para exercer atividade profissional, com carteira de motorista específica — explicou Fabio Sabba, porta-voz do Uber no Brasil, em entrevista recente ao GLOBO. — Ele precisa ter um carro sedan de luxo, novo, com seguro para o passageiro e o motorista. Também checamos os antecedentes criminais.

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O funcionamento do serviço é simples. Após ser aprovado, o motorista recebe autorização para instalar um aplicativo em seu smartphone. Os passageiros usam outro programa, disponível nas lojas on-line dos sistemas Android, iOS e Windows. Para pedir uma viagem, é preciso preencher cadastro, com informações pessoais e de pagamento, e clicar em apenas um botão na tela. Tanto o motorista como o passageiro são avaliados após a prestação do serviço, o que cria um ranking de qualidade.

O preço das corridas é ligeiramente mais alto que o cobrado pelo taxímetro, e o Uber fica com uma comissão. O percentual descontado varia de acordo com a cidade, tipicamente entre 20% e 25%, com redução dependendo do número de viagens.

A estreia no Brasil aconteceu durante a Copa do Mundo de 2010, primeiro no Rio e depois em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, mas o serviço só começou a se popularizar no ano passado. Desde então, taxistas começaram a realizar protestos, como o desta sexta-feira no Rio.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/alvo-de-taxistas-uber-opera-em-mais-de-300-cidades-de-58-paises-16933843#ixzz3gqKlUgNN 
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Uber contra-ataca e dá 2 viagens de graça no Rio em dia de ato contra app

4/07/2015 - Bom Dia Brasil - TV Globo

Uber mandou e-mail a usuários oferecendo corridas gratuitas (Foto: Reprodução/Uber)A empresa Uber, que administra o aplicativo que conecta motoristas autônomos e passageiros em busca de transporte, contra-atacou a manifestação de taxistas que causa transtornos no trânsito do Rio nesta sexta-feira (24). Em nota, o Uber informou que seus passageiros terão direito a duas viagens de até R$ 50, entre 7h e 19h, sem pagar nada.

"Sabemos que hoje será um dia complicado para locomoção e para não deixar os cariocas sem opção, hoje, todos poderão utilizar a Uber para qualquer lugar da cidade", divulgou a Uber em nota, acompanhada da hashtag #orionãopara ainda nesta sexta.

Em protesto contra o aplicativo, taxistas partiram em comboio de vários locais da cidade rumo ao Aterro do Flamengo, na Zona Sul, por volta das 6h desta sexta. O local é o ponto de encontro para uma carreata que vai até a Prefeitura, na Cidade Nova.

A estratégia de oferecer corridas gratuitas já foi adotada pelo Uber em Belo Horizonte na semana passada. A ação foi um protesto contra casos de agressões cometidas contra passageiros e motoristas que usam o serviço.

Como está a manifestação

Os comboios saíram de locais como Realengo, Gávea, Barra da Tijuca e Irajá. Às 9h10, a manifestação ainda estava concentrada no Aterro junto a um carro de som (veja no vídeo abaixo).

Por volta de 7h15, a Avenida Presidente Vargas chegou a ser fechada pelos manifestantes no sentido Candelária. Às 7h40, a via já estava liberada. Embora tenham combinado com autoridades que apenas uma pista do Aterro seria fechada, a via no sentido Zona Sul também estava parcialmente bloqueada naquele horário. Agentes da Companhia de Engenharia de Trafego do Rio (CET-Rio) e Polícia Militar estavam no local.

De acordo com Marcos Bezerra, presidente do Conselho Regional de Taxistas do Rio, já havia cerca de 1,5 mil táxis no local por volta das 8h. "Estamos aguardando de 3 a 5 mil. Vieram 200 táxis de São Paulo, 70 de Belo Horizonte. O protesto é contra o transporte pirata, como é feito em Uber e afins. Não queremos estes piratas trabalhando nas ruas", afirmou o presidente do conselho. Alguns dos manifestantes hostilizavam os taxistas que trabalhavam.

A pista do Aterro no sentido Centro foi fechada a partir das 3h. De acordo com a Prefeitura do Rio, a medida faz parte de um esquema operacional montado para a manifestação programada pelos taxistas. A concentração acontece entre os monumentos de Estácio de Sá e dos Pracinhas. É o mesmo trecho interditado para áreas de lazer na via. Segundo a prefeitura, o tráfego permanecerá interditado no local até o término da manifestação.

Às 6h10, cerca de 60 motoristas que estavam concentrados na Avenida Brasil, em Realengo, seguiram pela via expressa acompanhado de PMs e guardas municipais. O grupo pretendia encontrar outros tantos taxistas que estão em Irajá. Na Gávea, perto da Rua Vice-Governador Rubens Bernardo, havia cerca de 70 motoristas.

"A gente pede aos taxistas para evitarem o BRS para ter sempre preferência para o ônibus. Vai ser uma área crítica a Presidente Vargas. A recomendação é que os motoristas evitem o carro hoje no Centro por causa da manifestação. A Guarda Municipal e a CET-Rio vão encontrar os taxistas nestes pontos e conduzi-los para causar o mínimo de impacto. Fechamento previsto, só no Aterro", explica o diretor da CET-Rio Joaquim Dinis.