terça-feira, 27 de outubro de 2015

Táxi para judeus começa a operar no Rio

27/10/2015 - O Globo

POR ANCELMO GOIS

Começou a operar ontem a Jewish Táxi, que se define como uma central voltada à comunidade judaica. Os motoristas, além de português, falam ídiche. 

sábado, 22 de agosto de 2015

Uber lança serviço 30% mais barato no Rio

21/08/2015 - O Globo

RIO - Quem abrir o aplicativo do Uber nesta sexta-feira, aqui no Rio, vai encontrar uma surpresa: ao lado do conhecido sedan preto, que indica o Uber Black, haverá um carro menor, cinza, representando o Uber X. A alternativa, que já funciona em São Paulo há dois meses, oferece o mesmo tipo de serviço, só que com veículos mais simples, como o Ford Focus ou o Honda Fit, e a preços 30% mais baratos do que o dos táxis comuns. Como os motoristas do Uber Black, os do Uber X também são profissionais, e passam pelos mesmos critérios de avaliação.

Guilherme Telles, diretor geral do Uber no Brasil, explica que eles se propõem a atender a um novo tipo de passageiro.

— O Uber X funciona sobretudo em bairros distantes e áreas de periferia, e em geral fazendo uma última perna entre o transporte público e a casa do usuário, tipicamente aquela pessoa que precisa andar quilômetros até o ponto de ônibus mais próximo. A ideia do Uber X é complementar o ecossistema de transporte.

Na verdade, o Uber X se propõe a resolver não só o problema dos passageiros, mas também o dos motoristas que, tendo passado em todos os critérios de avaliação da empresa, esbarram no quesito carro: nem todos têm como comprar os luxuosos carrões com bancos de couro, exigência do Uber Black.

Nos EUA, o Uber X é o verdadeiro sistema de carona paga que deu origem a essa definição. Lá, os motoristas não são profissionais, mas pessoas que têm carro e habilitação, mais ou menos como os do Uber Pop europeu, que tanta comoção causou entre taxistas franceses.

Uber Black, Uber X, Uber Pop — afinal, quantos Uber existem?

— As possibilidades são infinitas! — diz Filippo Renner, diretor-geral do Rio, especialmente empolgado com o Uber Eats, serviço experimental em Nova York e Chicago, que oferece duas ou três opções de refeições rápidas e baratas, em torno de US$ 10, e chegam ao cliente em cinco minutos.

PARA TODOS OS BOLSOS

É fácil descobrir as muitas opções — e é uma boa brincadeirinha para quem curte o aplicativo. Basta dar zoom no mapa para ver que, em Los Angeles, por exemplo, além de Uber Black e UBer X, há os Uber Pool (espécie de lotação), Plus (sedans de luxo, como Mercedes), SUV (caminhonetes), Lux (limousines) e Access, com diferentes alternativas para o passageiro. Em Istambul, há o Uber Boat, que oferece lanchas no estreito de Bósforo; em Nova Déli, pode-se chamar um tuc-tuc com o Uber Auto.

Filippo, que tem 30 anos, 1,95m e cara de quem mal saiu da universidade, comanda, há três meses, a equipe de dez pessoas no recém-instalado escritório carioca, em Ipanema. A idade média não passa dos 30 anos; o mais novo, João Barbará, gerente de operações em São Paulo, tem 26, a mais velha, a diretora jurídica Ana Pellegrini, 38.

O background de todos é parecido. Quando não chegam direto da universidade, eles vêm de outras empresas de tecnologia. O escritório de São Paulo, onde trabalham pouco mais de 20 pessoas, fica no alto de um prédio imponente, com vista espetacular, e promete ficar lindo. Por enquanto, é uma típica startup em crescimento, com caixas empilhadas e uma salada de objetos incongruentes empilhados: centenas de headphones, material de escritório, lixeiras, pacotes de biscoito e guarda-chuvas.

— A nossa vida é cheia de obstáculos — brinca o diretor de comunicação Fábio Sabba, de 35 anos, uma das caras mais conhecidas da operação brasileira. É ele quem atende aos jornalistas, dá declarações, acompanha debates nas câmaras legislativas. Todos conversam sobre tudo pertinente ao Uber, conhecem a legislação de transportes e os mínimos desdobramentos do que está acontecendo com o serviço pelo mundo afora. Quando saem do trabalho na sexta à noite, conectam-se pelo WhatsApp e passam o fim de semana trocando ideias e informações.

TÍTULOS E EMPOLGAÇÃO

Todos têm ótimos títulos acadêmicos e são experientes: Filippo fundou uma empresa aos 20 anos; Leticia Mazon, que tem 28 e trabalha com Fábio na comunicação, vem da prefeitura de São Paulo; Daniel Mangabeira, de 30, diretor de políticas públicas, passou pela Global Health Strategies, pela UK Trade and Investment e trabalhou para o governo britânico.

A empolgação da turma é palpável, mas há uma ponta de frustração pela hostilidade com que a empresa é tratada por taxistas e vereadores.

— Quando uma fábrica que vai gerar 600 empregos é inaugurada, é recebida de braços abertos pelas autoridades, ganha incentivos fiscais e não paga IPTU por dez anos — diz Sabba. — Nós, que geramos milhares de empregos, somos recebidos com pedradas.

Mas há emoções positivas que vêm da satisfação dos usuários.

— Eu nem acredito que o Uber só está no Brasil desde maio passado — diz Mangabeira. — Tantas coisas vêm acontecendo, com tanta intensidade, que a impressão que tenho é que já se passaram 50 anos.

Taxistas poderão ser autorizados a usar carros pretos de luxo

Câmara aprova projeto que penaliza Uber e beneficia permissionários

Os taxistas vão ter o seu "próprio Uber". Na regulamentação do transporte individual de passageiros, aprovada ontem na Câmara de Vereadores, em primeira discussão, com 38 votos, está previsto que os profissionais já licenciados pelo município poderão se organizar em entidades e requerer licença para operar carros de luxo pretos, exatamente como os usados pelos motoristas do aplicativo. Para isso, terão que comprovar noções de inglês e a realização de curso de atendimento ao cliente — justamente diferenciais dos motoristas selecionados pelo Uber.

A vereadora Teresa Bergher vai propor a retirada desse ponto do texto. O presidente da Casa, Jorge Felippe, nega a criação de um "Uber de taxistas":

— Já temos no Rio táxi amarelo, vermelho e azul. Passaremos a ter o preto. O Uber é ilegal. Os taxistas têm licença.

A regulamentação prevê multas mais pesadas para o Uber e táxis piratas: em vez dos R$ 1.360,29 atuais, seriam R$ 3 mil (motoristas) e R$ 7 mil (empresas). Ontem, a OAB-RJ criou um grupo de trabalho para analisar o serviço prestado pelo Ube

domingo, 16 de agosto de 2015

Adeus aos últimos Fusquinhas

16/08/2015 - O Dia

Restam apenas dois exemplares entre os táxis que circulam no Alto da Boa Vista, na Tijuca

O DIA

Rio - As ladeiras do Alto da Boa Vista estão prestes a perder seus mais tradicionais visitantes. Os últimos dois táxis Fusca que sobem e descem as ruas da região sumirão da praça até 23 de dezembro, prazo determinado pela Prefeitura. Durante quatro décadas os Fusquinhas fizeram ponto no Largo da Usina, na Tijuca. 

Com a mudança no Código Disciplinar do sistema de táxis em 2014, ficou estabelecido que a vida útil da frota é de seis anos de uso. Após este período, o taxista precisa trocar o veículo. "Antigamente só existiam Fuscas aqui no ponto. Há pouco tempo apareceram os carros grandes", explicou Marcos Cardoso, taxista há 28 anos que sempre pilotou Fusquinhas e reclama que os carros mais modernos não tem a mesma resistência. "Alguns já estão na terceira troca. Esses carros grandes não aguentam as ladeiras daqui". Marcos e o colega taxista Sérgio da Silva Dias, de 64 anos, estão lutando para continuar com os amarelinhos.


Sergio Dias e Marcos Cardoso lamentam a despedida dos fusquinhas
Foto:  Bruno de Lima / Agência O Dia

Os moradores da região também torcem pela permanência dos modelos que fizeram moda nos anos 70. "Eles são muito tradicionais, e poderiam ser vistos com mais carinho", argumentou Eloá Marques, de 60 anos. "Me lembra saudade". 

Os dois táxis estão rodando há 20 anos e são da última leva de Fuscas produzidos no Brasil em 1995. Para pedir a permanência dos carros, os taxistas fizeram um abaixo assinado com mais de 3 mil assinaturas. Eles entregaram o documento na Secretaria Municipal de Transporte há seis meses. 
Taxista no mesmo local, Oswaldo de Jesus, 55, começou a trabalhar em 1999 em um Fusquinha. Em 2012 pegou a autonomia, mas comprou um utilitário. "Se pudesse também teria um Fusca", ponderou. "O pessoal vai sentir falta. Eles são a cara daqui."

Coisas que só os Fuscas sabem fazer 

Os táxis Fusca são muito mais do que uma atração por onde passam. "Quando chove o carro grande não sobe a ladeira de paralelepípedo, só o fusca", explica Marcos Cardoso. O secretário municipal de transportes, Rafael Picciani, esclareceu que estuda a possibilidade de renovar a permissão especial para os carros. "A secretaria tem o desejo de renovar a permissão para preservar a memória cultural do bairro", disse o secretário. Porém, não há prazo para a decisão. 
Os moradores de Niterói também estão correndo o risco de perder um de seus patrimônios sobre rodas. Em caso semelhante, o último táxi Fusca da cidade, o modelo Fusca Sedan de 1969, só pode rodar até outubro.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Apenas três grupos controlam 55,8% dos táxis de empresas na cidade

14/08/2015 - O Globo

RIO - Ainda garoto, em 1961, o hoje empresário José Luís da Silva Moreira deixou Portugal com a família. A bordo do navio Correntes, vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor. Hoje, aos 66 anos, José não pode reclamar da sorte: ele integra um dos três grupos que dominam a frota de táxis de empresas no Rio, controlando 934 veículos, ou 55,8%, de um total de 1.671.

O Rio tem 15 empresas registradas na prefeitura. Na verdade, elas não são donas das autonomias (as licenças para ter um táxi): atuam no mercado como companhias de "locação de automóveis sem condutor". Com isso, alugam veículos a taxistas, que trabalham como auxiliares.

Em 1977, no governo Marcos Tamoyo, um decreto chegou a limitar a frota a cem táxis por empresa, mas ele foi posteriormente revisto. Hoje, o número de companhias e a frota não podem mais ser ampliados, como determina a lei municipal 5.492/2012. A mesma norma fixa o limite de um táxi para 700 habitantes, proibindo a distribuição de novas licenças até esse número ser atingido — atualmente, a proporção está em um para cerca de 200. Em 2013, um decreto do prefeito Eduardo Paes autorizou apenas a renovação dos carros.

O Rio tem 30.661 motoristas autônomos. Desse total, 25.538 trabalham como taxistas auxiliares, sendo que 2.004 atuam nas 15 empresas. Mas a fiscalização da prefeitura é falha porque se limita às ruas. Não há controle nas garagens, por exemplo, para saber se as companhias respeitam o limite autorizado.

NEGÓCIOS FAMILIARES

No negócio de táxis, muitas empresas são familiares. As informações sobre a participação societária levantadas pelo GLOBO se baseiam em dados do site especializado Infoplex. Fundado por Pascoal da Silva Rego na década de 70, o Grupo Império Táxis é o que mais tem veículos: 365. O empresário, conhecido como o Rei do Táxi, e seus oito filhos controlam as empresas Turi Tax (que tem 90 carros), Radar (95), Império (90) e Nossa Senhora dos Milagres (90). A sede do grupo é no Rocha.

Em segundo lugar, está a família do empresário Valentim Francisco Varanda, com 285 táxis. Ela comanda a Jofeva Ltda (que tem 112 veículos) e a Aradense (87), além de ter participação na Táxi Neide (86).

Outro que também tem o veículo no apelido é José Luís da Silva Moreira. O empresário, que acumula sua atividade profissional com a de vice-presidente de futebol do Vasco, é conhecido pelos torcedores como Zé do Táxi. Odeia ser chamado assim, embora a alcunha tenha seus motivos: junto com o sócio Eduardo Atab, ex-funcionário do Detran, ele controla três empresas em São Cristóvão com 284 automóveis, o que o coloca em terceiro lugar no setor. José é dono da Novo Rio (95 carros), da Táxi Verde (95) e da Corcovado (94).

— Tive um tio que dirigiu táxi quando chegou ao Brasil — conta ele. — Eu mesmo nunca trabalhei na praça. O que faço é administrar as empresas há mais de 30 anos. E esse é um trabalho duro. Às vezes, chego às 6h para trabalhar. Já o Vasco é uma diversão. Claro que uma diversão cara: no clube, trabalho por amor.

Com base em estimativas do Sindicato dos Motoristas de Empresas e Auxiliares de Táxi do Estado, é possível estimar que essas companhias cheguem a movimentar pelo menos R$ 7,3 milhões por mês. O cálculo toma como base uma diária de R$ 200 cobrada dos taxistas por 22 dias ao mês — nos fins de semana, a maioria das empresas não exige esse mínimo. Muitas vezes, para conseguir o dinheiro da diária, os profissionais chegam a trabalhar mais de 12 horas por dia. Na década passada, uma lei municipal chegou a exigir que as empresas assinassem a carteira dos motoristas, mas a exigência foi considerada inconstitucional.

— Autônomos não têm vínculos empregatícios. O que temos discutido hoje com as empresas e o Ministério do Trabalho é que os motoristas tenham algum amparo legal, para firmar contratos com duração determinada. Isso evitaria que, de um dia para outro, empresas impedissem motoristas de ganhar dinheiro retendo os carros — diz o presidente do Sindicato dos Motoristas de Empresas de Táxis, Antônio Oliviero.

EMPRESÁRIO TAMBÉM FORNECE TAXÍMETRO

Em alguns casos, os empresários também se dedicam a atividades correlatas. Eduardo Atab, que segundo José Moreira foi quem o incentivou a atuar no ramo dos táxis, é um dos sócios da Revendedora Capelinha LTDA. Com sede em Piedade, a empresa é uma das principais fornecedoras de taxímetros do mercado carioca.

— A gente observa e fiscaliza o serviço de táxis como um todo, sem fazer distinção entre o prestado por autônomos ou por empresas. A preocupação é com a qualidade do sistema — disse o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani.

O GLOBO procurou representantes de todas as empresas citadas, mas apena José Luiz respondeu aos pedidos de entrevista.

Números

15 empresas - Total que atua no mercado de táxis na cidade do Rio.

1.671 veículos - Frota de táxis administrada por empresas .

55,8% da frota - Percentual de táxis de empresas controlados por apenas três grupos.

32.332 táxis - Total de veículos que circulam pela cidade.

Um oligopólio que está em guerra com o Uber em Nova York

Em dois anos de concorrência, valor de autonomias despencou de US$ 1,2 milhão para US$ 800 mil

A polêmica que transforma a tradicional indústria de táxis amarelos de Nova York de oligopólio inacessível a vítima do progresso esquenta o fim de verão na cidade. O preço dos chamados medallions — licenças em número limitado concedidas pela prefeitura para se operar um táxi — vem despencando frente à competição com o Uber, que em quatro anos de funcionamento já tem 26 mil motoristas circulando numa cidade com 13 mil taxistas autorizados.

Se em 2013 um medallion custava US$ 1,2 milhão, hoje vale menos de US$ 800 mil. Já o faturamento diário dos amarelinhos caiu 10% de lá para cá. A crise atingiu até o Rei dos Táxis de Nova York: dono de 900 licenças, o empresário Gene Friedman decretou em julho falência de parte de seu império, ao ter uma dívida de financiamento executada pelo Citibank diante da deterioração do mercado.

Nova York tem ainda cerca de seis mil taxistas independentes, que investiram em um único medallion, estimulados pelo poder público, e agora ameaçam entrar na Justiça. Na última quarta- feira, organizados pela recém- criada Associação dos Donos de Táxi, centenas deles se reuniram para protestar na escadaria da prefeitura.

O grupo argumenta que já não consegue alugar seus táxis para outros motoristas, que têm se bandeado para o Uber. E reivindica igualdade: enquanto eles precisam manter tarifas predeterminadas, por exemplo, o aplicativo aumenta o preço de acordo com a demanda.

Há duas semanas, o aplicativo Uber conseguiu adiar na Câmara de Nova York a votação de um limite para o número de carros que circulam prestando o serviço na cidade. A prefeitura ficou de estudar o negócio, avaliar o impacto no trânsito e discutir as condições dos tradicionais táxis amarelos.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Rio tem três vezes mais táxis do que prevê lei de 2011, que pretendia reduzir veículos

28/07/2015 -  Extra - RJ

Para os taxistas que reivindicam o fim da "carona remunerada", o inimigo tem nome: Uber. Administradores do aplicativo — que oferece serviço de transporte em carro preto, com condutor trajando roupa social e que aceita até cartão de crédito — não informam quantos veículos rodam na cidade. Alguns motoristas que atuam no segmento dizem ser cerca de 600, enquanto para outros chegam a 1.500. Mas a guerra por passageiros é mais antiga e coloca amarelinho contra amarelinho. Hoje, o número de táxis autorizados a circular no Rio é três vezes e meia maior do que o previsto na legislação.

A Lei Complementar 111/2011, que institui o Plano Diretor do Rio, previa um táxi a cada 700 habitantes. Com 6.453.682 moradores, segundo o IBGE, e 33 mil táxis, segundo a prefeitura, a proporção atual é de um amarelinho para cada 195 moradores.

Para o presidente da Associação de Assistência ao Motorista de Táxi do Brasil (Aamotab), André de Oliveira, a má distribuição de veículos pela cidade é que dava a impressão de que havia táxis em excesso nas ruas. A situação, segundo ele, mudou após os motoristas de praça passarem a recorrer a aplicativos, como o 99 Táxis e o Easy Táxi, que proporcionaram melhor distribuição da demanda, a partir de 2002.

— Parece que tem muito táxi nas ruas, mas sempre foi tranquilo, pois nem todos estão rodando ao mesmo tempo. Mas agora a situação mudou. Estamos perdendo as corridas boas — reclama Alex Sales França, de 45 anos, com mais de 15 na praça, que acusa o Uber de "concorrência desleal".

Fábio Sabba, porta-voz da Uber no Brasil, nega.

— A Uber oferece transporte privado individual e o único jeito de você conseguir um carro é por meio do aplicativo, no smartphone, após o cadastro com as informações de cartão de crédito. O táxi da Uber só vai até o usuário quando solicitado, o que é diferente do funcionamento de táxis.

Uma emenda ao Plano Diretor do Rio previa, em 2010, a extinção de 23 mil dos 32 mil táxis que rodavam na cidade, na época. A ideia era não conceder novas permissões até ser atingida a proporção de um táxi para cada grupo de 700 habitantes.

A prefeitura admite que, de lá para cá, em vez de reduzir, a frota de táxis aumentou, mas por causa de decisões judiciais. Algumas determinaram que se passassem de pai para herdeiros as permissões.

Um projeto de lei complementar, que tramita na Câmara Municipal desde 2013, prevê o contrário. Quer adequar o número veículos à realidade atual, de um táxi para cada 195 habitantes. Para o presidente da Aamotab, André de Oliveira, o Plano Diretor se baseou numa realidade que não era a carioca.

— Se baseou em dados da Europa — afirmou.

Apesar do grande volume de táxis nas ruas, especialistas acreditam que a chegada do Uber não prejudica amobilidade. Há os que acham até que pode melhorar.

— O carro do Uber tira de 10 a 15 veículos, por dia das ruas — calcula o professor Ronaldo Balassiano, do Programa de Engenharia de Transporte da Coppe/UFRJ.

Para Balassiano, o serviço oferecido pelo aplicativo, atrai pessoas que preferem deixar o carro na garagem e deve ser regulamentado. Já Marcos Poggi, especialista em análise de mobilidade não vê muita mudança.

— Pode piorar , mas só se o taxista ficar rodando em busca de passageiro — disse.

Já para a Secretaria municipal de Transporte, a falta de regulamentação e de informações sobre frota e motoristas, além de colocar o serviço na clandestinidade atrapalha o planejamento do trânsito e oferece risco à população. O órgão diz que toda a frota terá vida útil de seis anos até 2016 e estuda criar aplicativo que permita ao usuário avaliar o serviço.

Confira a nota da Secretaria Municipal de Transportes na íntegra:

"A Secretaria Municipal de Transportes informa que, em 2012, a Câmara Municipal aprovou a Lei Nº 5.492, que proíbe a emissão de novas autorizações e garante a permanência das autorizações já concedidas.

A mesma lei garante a cessão de direito de uso a terceiros e de transferir o direito de uso, em caso de falecimento, para o cônjuge.

Cria também o direito de o auxiliar com maior tempo de serviço à autorização que venha a ser cassada pro município.

As últimas concessões foram feitas por conta da Lei 3.123/00, que ficou conhecida com a lei das "Diárias Nunca Mais". A lei permitiu que todos os taxistas auxiliares fossem transformados em permissionários. À época, 15 mil permissionários estavam aptos a receber a permissão.

Em respeito à Lei 5.492, as transferências permitidas por ela estão sendo feitas. Na mais recente cerimônia, no dia 2 de julho, foram assinados 44 processos de transferência por falecimento do cônjuge. De janeiro até o ultimo dia 2, foram assinadas 88 transferências - alguns processos estavam parados desde os anos 2000."

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Em dia de protesto, motoristas do Uber trabalham descaracterizados para evitar conflitos com taxistas

Companhia oferece viagens gratuitas no valor de até R$ 50 aos seus usuários nesta sexta-feira

POR DARLAN AZEVEDO

24/07/2015 - O Globo

RIO - Para evitar conflitos com taxistas que promovem uma mega manifestação desde o início da manhã desta sexta-feira no Rio, os motoristas do aplicativo Uber estavam trabalhando descaracterizados. Segundo um dos funcionários da empresa, a orientação era para manter o serviço ativo, apesar dos protestos dos taxistas:

— Nos pediram apenas para não usarmos o uniforme, nem o boné, pois os taxistas estão nos hostilizando. Todos os motoristas estão descaracterizados — contou o motorista, que afirma ainda que a demanda nesta sexta-feira está alta.

Pela manhã, quem tentava pedir um carro do serviço no Centro do Rio encontrava dificuldades. Um dos motivos para a grande procura, além da manifestação dos taxistas, era a promoção que foi anunciada pela empresa, que oferecia corridas gratuitas. O usuário que digitasse o código "RIONAOPARA" ganhava duas viagens de R$ 50 para usar entre 7h e 19h.

De acordo com Fabio Sabba, porta-voz do Uber no Brasil, a empresa também suspendeu nesta sexta-feira o chamado "preço dinâmico" que a empresa institui em ocasiões em que a demanda por seus motoristas é maior que a oferta — nessas situações, o valor das suas corridas sofre um aumento até que a oferta se normalize.

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Em nota, a Uber afirma que "defende que os usuários têm o direito de escolher o modo que desejam se movimentar pela cidade". A nota acrescenta que no Rio, "que tem uma população que precisa de opções de transporte e que recebe milhares de turistas de todo o mundo anualmente, a inovação é crucial para que a cidade fique cada vez mais conectada, transparente e inteligente". A Uber encerra a nota dizendo que "acredita que é possível trazer uma série de melhorias para a sociedade, gerando novas oportunidades de negócio para milhares de motoristas parceiros e ao mesmo tempo oferecer novas opções de mobilidade urbana".

Um motorista, que preferiu não se identificar, contou que em alguns lugares onde foram registradas confusões os carros não pararam. Além disso, a orientação da empresa era não revidar.

— Certos lugares que estão com confusões a gente não está parando. A orientação é para não revidar. Caso sejam hostilizados, os motoristas devem se reportar aos advogados da empresa — disse.

Ainda de acordo com o motorista, que trabalhou durante 14 anos como condutor de ônibus, a Uber estaria pagado um bônus para quem está trabalhando nesta sexta-feira:

— Estou precisando de dinheiro. Eestou me arriscando para trabalhar hoje só pela necessidade. O dia está muito bom para nosso trabalho. Os descontos de hoje só funcionam para os clientes. Na prática, nós continuamos recebendo o valor da corrida. Além disso, hoje não estamos sendo descontados os 20% que a empresa cobra, como também ganhamos uma bonificação de 30% a mais por cada corrida — afirmou um motorista do Uber, que preferiu não se identificar.


Manifestação de taxistas no Aterro do Flamengo contra o aplicativo Uber - Pablo Jacob / Agência O Globo

Segundo o motorista, a empresa entrou no mercado pela qualidade. Um dos motivos, por exemplo, seria de que taxistas negam corridas curtas, e o aplicativo não permite fazer isso. Além disso, o motorista afirma que a empresa paga todo tipo de reparo nos veículos em caso de batidas ou mesmo ações de vandalismo provocadas por taxistas, subsidiam as multas por eventual fiscalização dos órgãos públicos. Mas o padrão de exigência de alto:

— Se eu perder uma estrela do meu padrão de qualidade (são 5 no máximo), eu preciso dar explicações aos superiores. Se não for muito convincente, volto para o curso de reciclagem — afirma.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/em-dia-de-protesto-motoristas-do-uber-trabalham-descaracterizados-para-evitar-conflitos-com-taxistas-16933138#ixzz3gqM47VHx 
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Alvo de taxistas, Uber opera em mais de 300 cidades de 58 países

Empresa enfrenta protestos e governos ao redor do mundo, mas em cinco anos já vale US$ 50 bilhões

24/07/2015 - O Globo


Candidatos a motorista no Uber precisam de carro de luxo e carteira profissional - SPENCER PLATT / AFP

RIO — Criado em junho de 2010, em São Francisco, na Califórnia, o Uber se apresenta como uma plataforma tecnológica que une motoristas e passageiros. A empresa é considerada uma das start-ups de maior sucesso no mundo, com valor de mercado aproximado de US$ 50 bilhões. Atualmente, atua em cerca de 300 cidades, de 58 países, incluindo as brasileiras Rio, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. A companhia não divulga muitos números sobre a sua atuação, mas afirma que, em fevereiro, mais de um milhão de viagens foram feitas pelo serviço. O objetivo para este ano é alcançar a marca de um milhão de motoristas cadastrados.

Taxistas fazem manifestação contra o aplicativo Uber em vários pontos do Rio

Mas o sucesso não veio sem polêmicas. Alvo da ira de taxistas em várias cidades do mundo, o aplicativo já foi banido de algumas praças. O caso mais recente aconteceu na França. Após protestos no fim do mês passado, o governo de Paris baniu o serviço UberPop, oferecido com carros mais populares e preços menores, que compete diretamente com o táxi. Em São Paulo, a câmara municipal aprovou em junho, em primeira votação, a proibição do aplicativo.

A categoria acusa os motoristas que fazem uso do Uber de concorrência desleal. Por não ser regulamentado, eles usam carros particulares comuns para fazer o transporte de passageiros, o que é vetado pela legislação do país. Por sua vez, o Uber argumenta que a plataforma apenas une motoristas profissionais aos usuários.

— O candidato a trabalhar com a plataforma precisa de autorização para exercer atividade profissional, com carteira de motorista específica — explicou Fabio Sabba, porta-voz do Uber no Brasil, em entrevista recente ao GLOBO. — Ele precisa ter um carro sedan de luxo, novo, com seguro para o passageiro e o motorista. Também checamos os antecedentes criminais.

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O funcionamento do serviço é simples. Após ser aprovado, o motorista recebe autorização para instalar um aplicativo em seu smartphone. Os passageiros usam outro programa, disponível nas lojas on-line dos sistemas Android, iOS e Windows. Para pedir uma viagem, é preciso preencher cadastro, com informações pessoais e de pagamento, e clicar em apenas um botão na tela. Tanto o motorista como o passageiro são avaliados após a prestação do serviço, o que cria um ranking de qualidade.

O preço das corridas é ligeiramente mais alto que o cobrado pelo taxímetro, e o Uber fica com uma comissão. O percentual descontado varia de acordo com a cidade, tipicamente entre 20% e 25%, com redução dependendo do número de viagens.

A estreia no Brasil aconteceu durante a Copa do Mundo de 2010, primeiro no Rio e depois em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, mas o serviço só começou a se popularizar no ano passado. Desde então, taxistas começaram a realizar protestos, como o desta sexta-feira no Rio.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/alvo-de-taxistas-uber-opera-em-mais-de-300-cidades-de-58-paises-16933843#ixzz3gqKlUgNN 
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Uber contra-ataca e dá 2 viagens de graça no Rio em dia de ato contra app

4/07/2015 - Bom Dia Brasil - TV Globo

Uber mandou e-mail a usuários oferecendo corridas gratuitas (Foto: Reprodução/Uber)A empresa Uber, que administra o aplicativo que conecta motoristas autônomos e passageiros em busca de transporte, contra-atacou a manifestação de taxistas que causa transtornos no trânsito do Rio nesta sexta-feira (24). Em nota, o Uber informou que seus passageiros terão direito a duas viagens de até R$ 50, entre 7h e 19h, sem pagar nada.

"Sabemos que hoje será um dia complicado para locomoção e para não deixar os cariocas sem opção, hoje, todos poderão utilizar a Uber para qualquer lugar da cidade", divulgou a Uber em nota, acompanhada da hashtag #orionãopara ainda nesta sexta.

Em protesto contra o aplicativo, taxistas partiram em comboio de vários locais da cidade rumo ao Aterro do Flamengo, na Zona Sul, por volta das 6h desta sexta. O local é o ponto de encontro para uma carreata que vai até a Prefeitura, na Cidade Nova.

A estratégia de oferecer corridas gratuitas já foi adotada pelo Uber em Belo Horizonte na semana passada. A ação foi um protesto contra casos de agressões cometidas contra passageiros e motoristas que usam o serviço.

Como está a manifestação

Os comboios saíram de locais como Realengo, Gávea, Barra da Tijuca e Irajá. Às 9h10, a manifestação ainda estava concentrada no Aterro junto a um carro de som (veja no vídeo abaixo).

Por volta de 7h15, a Avenida Presidente Vargas chegou a ser fechada pelos manifestantes no sentido Candelária. Às 7h40, a via já estava liberada. Embora tenham combinado com autoridades que apenas uma pista do Aterro seria fechada, a via no sentido Zona Sul também estava parcialmente bloqueada naquele horário. Agentes da Companhia de Engenharia de Trafego do Rio (CET-Rio) e Polícia Militar estavam no local.

De acordo com Marcos Bezerra, presidente do Conselho Regional de Taxistas do Rio, já havia cerca de 1,5 mil táxis no local por volta das 8h. "Estamos aguardando de 3 a 5 mil. Vieram 200 táxis de São Paulo, 70 de Belo Horizonte. O protesto é contra o transporte pirata, como é feito em Uber e afins. Não queremos estes piratas trabalhando nas ruas", afirmou o presidente do conselho. Alguns dos manifestantes hostilizavam os taxistas que trabalhavam.

A pista do Aterro no sentido Centro foi fechada a partir das 3h. De acordo com a Prefeitura do Rio, a medida faz parte de um esquema operacional montado para a manifestação programada pelos taxistas. A concentração acontece entre os monumentos de Estácio de Sá e dos Pracinhas. É o mesmo trecho interditado para áreas de lazer na via. Segundo a prefeitura, o tráfego permanecerá interditado no local até o término da manifestação.

Às 6h10, cerca de 60 motoristas que estavam concentrados na Avenida Brasil, em Realengo, seguiram pela via expressa acompanhado de PMs e guardas municipais. O grupo pretendia encontrar outros tantos taxistas que estão em Irajá. Na Gávea, perto da Rua Vice-Governador Rubens Bernardo, havia cerca de 70 motoristas.

"A gente pede aos taxistas para evitarem o BRS para ter sempre preferência para o ônibus. Vai ser uma área crítica a Presidente Vargas. A recomendação é que os motoristas evitem o carro hoje no Centro por causa da manifestação. A Guarda Municipal e a CET-Rio vão encontrar os taxistas nestes pontos e conduzi-los para causar o mínimo de impacto. Fechamento previsto, só no Aterro", explica o diretor da CET-Rio Joaquim Dinis.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Prefeitura do Rio afirma que não regulamenta motoristas do Uber porque serviço é ilegal


Lançado no ano passado no Brasil, aplicativo de táxi vem ganhando usuários. Taxistas organizam protesto para quarta-feira

POR RENAN FRANÇA

30/06/2015 - O Globo


Tela do aplicativo Uber: serviço é considerado ilegal - Leo Martins / Agência O Globo (20/04/2015)


RIO — Desde que chegou ao Brasil, em junho do ano passado, o aplicativo Uber não é consenso: a prefeitura do Rio considera o serviço ilegal e não o regulamenta; os passageiros aprovam pela facilidade; já os taxistas vociferam, pois sentiram que o número de corridas caiu desde então. O serviço parece o de um táxi, mas não é. E esse é o motivo do imbróglio. A secretaria municipal de Transportes limita o serviço de passageiros a veículos com placas vermelhas, taxímetro, alvará e adimplentes com taxas. Então, para o órgão, o Uber é clandestino.

No final de semana, taxistas e motoristas do Uber se envolveram em uma confusão em frente à sede da Sociedade Germânica, onde ocorria uma festa. Motoristas que atendem pelo aplicativo foram contratados para fazer o transporte de convidados e montaram uma tenda na rua. Insatisfeitos, taxistas protestaram e houve tumulto.

— O que estão fazendo não é só exercício ilegal da profissão. A concorrência é desleal — diz o presidente dos sindicatos dos taxistas, Luiz da Silva. — Estamos organizando um protesto para a próxima quarta-feira.

Não foi só no Rio que taxitas protestaram contra o Uber. Na França, Estados Unidos e Inglaterra houve chiadeira dos motoristas assim que o aplicativo entrou em funcionamento. Para tentar coibir o serviço, em novembro do ano passado,a secretaria municipal de Transportes encaminhou o caso à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), da Polícia Civil, para o Uber ser investigado. O inquérito policial foi concluído em novembro de 2014 e encaminhado ao Juizado Especial Criminal, que arquivou o processo a pedido do Ministério Público (MP). Em abril, a secretaria recorreu da decisão e pediu a reabertura das investigações. O caso foi mais uma vez arquivado, já que as promotorias entenderam que "cabe à secretaria fiscalizar o transporte de passageiros".

A prefeitura afirma que não vai regulamentar o Uber e que só fiscaliza o transporte regular, acrescentando que o serviço ilegal é caso de polícia. A Polícia Civil diz que não atua na fiscalização do transporte irregular, tarefa que cabe à secretaria.
 
Os passageiros que utilizam o serviço se dizem satisfeitos. Para chamar um carro da Uber, é preciso ter o aplicativo no celular e cadastrar um cartão de crédito. A tarifa base do Uber é de R$ 5 — a bandeirada do táxi é de R$ 5,20, e R$ 6,20 após as 21 horas.

— A qualidade dos automóveis é muito superior à média encontrada nos táxis que circulam no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além disso, os motoristas são mais cordiais que os taxistas — diz Bruno Sousa, gerente de atendimento.

A Uber não oferece número relativo ao crescimento da frota e de passageiros. Afirma, porém, que aumenta a cada ano. A empresa também afirma que o serviço oferecido utiliza uma tecnologia que permite motoristas parceiros conectarem-se com usuários.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-do-rio-afirma-que-nao-regulamenta-motoristas-do-uber-porque-servico-ilegal-16602411#ixzz3eZvHq6p6 
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sábado, 13 de junho de 2015

Taxistas cobram reforço na frota de São Paulo

12/06/2015 - Diário de SP

Representantes dos taxistas da capital pressionam a Prefeitura para a aumentar a frota de táxis na cidade dos atuais 34 mil para 46 mil veículos. A categoria afirma que se não for aberto um diálogo com a administração municipal sobre o assunto, uma paralisação será realizada em 6 de julho.        

"O Jilmar Tatto (secretário de Transportes) ainda não nos recebeu para tratar do tema", disse o presidente do Simtetaxi (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi no Estado de São Paulo), Antonio   Matias, o Ceará.

A afirmação foi feita na quarta-feira (10) à Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal.

De acordo com o Simtetaxi, o acréscimo de 12 mil veículos busca suprir o aumento da demanda de passageiros e diminuir a presença de clandestinos em São Paulo.

O sindicalista também disse que dos 34 mil táxis licenciados, apenas 28 mil efetivamente circulam pelas ruas. "Os outros são  taxistas que saíram do sistema e suas vagas ainda não foram repostas."

Para pressionar a gestão municipal, o sindicato cita o exemplo da cidade do Rio de Janeiro. Com pouco mais da metade da população paulistana, a capital fluminense tem 35 mil táxis, apenas mil a mais que São Paulo, de acordo com o Simtetaxi .

"São Paulo é uma cidade de negócios. Diariamente, milhares de pessoas chegam ao município e precisam de táxis. Isso sem falar nos próprios moradores", lembrou. "Os aplicativos para telefone celular também aumentaram a demanda", disse Ceará.

Pelos cálculos do sindicato, cerca de 500 mil pessoas são transportadas diariamente em táxis na capital paulista.   

Segundo Ceará, a última vez que houve um aumento do número da frota em São Paulo foi em 2012.

Clandestinos/ De acordo com o sindicato, a falta de táxis afeta, principalmente, quem mora na periferia. A consequência direta, conforme Ceará, é a expansão dos clandestinos.  "Estimamos que os irregulares sejam em torno de 20 mil", disse.

Por isso, o sindicato pede a contratação de 500  fiscais pela Prefeitura – hoje são cerca de 100 agentes. "Também queremos uma operação delegada (parceria entre a gestão municipal e a Polícia Militar com 100 PMs na fiscalização", cobrou.  

"Não dá para negar que faltam táxis em São Paulo. Quem procura um taxista, principalmente à noite, não acha. Tem de haver boa vontade da Prefeitura para sanar a questão", disse o vereador Toninho Paiva (PR), presidente da comissão na Câmara Municipal.

Prefeitura diz não ter planos para emissão de novos alvarás

A Secretaria Municipal de Transportes informou, em seu site, que por enquanto não há previsão de emissão de novos alvarás e que o DTP (Departamento de Transporte Público) faz estudos de forma permanente para avaliar a necessidade ou não da inclusão de novos veículos no serviço de táxi  em São Paulo.

Ainda segundo a pasta, o secretário Jilmar Tatto tem recebido os taxistas, seja em reuniões ou em atividades do CMTT (Conselho Municipal de Transporte e Trânsito). "Também está sendo criada a Câmara Temática de assuntos de Táxis com a finalidade de manter um diálogo permanente com a categoria."

Segundo a  pasta, a fiscalização aos  táxis clandestinos é feita por 105 agentes.  "Os veículos são apreendidos ao pátio do DTP e os donos estão sujeitos ao pagamento da taxa de remoção de R$ 521 mais estadia de R$ 41 a cada 12 horas, além de assinar o Termo de Notificação da Multa de R$ 1.915,85." 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Taxistas querem usar pista exclusiva do Move

19/05/2015 - O Tempo - BH

Discutida ontem em audiência na Câmara da capital, a circulação de táxis com passageiros em pistas exclusivas do Move de Belo Horizonte ainda não é consenso. A medida foi defendida pela categoria, com base em estudo encomendado pelo Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários, Taxistas e Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Minas Gerais (Sincavir-MG). "Funcionava bem assim antes. Após a conclusão das obras do Move, o táxi foi retirado", disse Ricardo Faedda, presidente do Sincavir. Presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário da Casa, que fez o debate, o vereador Preto (DEM) avalia a medida como insegura. "O ônibus do Move pesa 30 mil kg, não para".

A ideia é compartilhar a pista da direita, em um primeiro momento, na avenida Antônio Carlos, que tem duas faixas de pista do Move em cada sentido em toda a extensão. A proposta objetiva principalmente viabilizar viagens de táxi para a Cidade Administrativa e o aeroporto internacional de Confins pelas faixas do Move. "O tempo de viagem para Confins passaria de uma hora e 30 minutos para 40 minutos, o que baratearia a corrida em até 20%", disse Faedda.

O uso das faixas seria ampliado gradativamente a outras avenidas. Autor do estudo de viabilidade, o engenheiro de trânsito Nelson Prata disse que a questão é de direito. "O táxi é um serviço público como o ônibus".

Debate. O vereador Preto demonstrou preocupação com a segurança. "Ja barramos vários projetos. Precisamos de estudos técnicos que garantam a segurança", disse.

O Sincavir rebate. "Por que nas pistas compartilhadas não há risco e na Antônio Carlos há?", questiona Faedda. "O ônibus Conexão Aeroporto não foi construído para fazer uso da via e faz, privilégio que precisa ser questionado", reforça o vereador Professor Wendel (PSB), que convocou a audiência. Ele disse que vai levar o projeto ao prefeito e à Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). A iniciativa, no entanto, precisa partir do Executivo – a Câmara não tem poder para propor a alteração.

Convidada para a reunião, a autarquia de trânsito não enviou representante nem respondeu por que veta o compartilhamento da pista, e informou que não vai se posicionar sobre a proposta.

Perfil

Conexão. Com cerca de 8 km de extensão, a avenida Antônio Carlos liga a Lagoinha à lagoa da Pampulha, cruzando vias como Anel Rodoviário e avenidas Abrahão Caram e Bernardo Vasconcelos.

O que recomenda o estudo

Acesso. Estabelecimento de sete pontos de entrada e saída de táxis na avenida Antônio Carlos, devidamente sinalizados vertical e horizontalmente.

Simulação. Treinamento dos taxistas e teste do acesso por esses pontos para verificar funcionamento da medida.

Sem parar. Proibição de parada dos táxis para embarque e desembarque de passageiros dentro dos corredores.

Ocupação. Táxis poderão trafegar apenas com passageiros, e serão controlados pela Central de Operações da BHTrans – possivelmente por GPS.

Divisão. Táxis andarão na pista da direita, evitando ultrapassagem e dando preferência aos ônibus do Move.

Emergência. Montar plano de atendimento de emergência aos táxis, incluindo o uso de reboque em caso de defeitos em veículos.

Restrito. Acesso limitado a taxistas sindicalizados, e criação de canal interativo com a BHTrans para permitir aplicação de penalidades a taxistas que desrespeitarem os termos de permissão.

domingo, 10 de maio de 2015

Tradicional táxi londrino será elétrico em 2018

09/05/2015 - O Globo


Os ortodoxos táxis pretos de Londres estão para sofrer uma transformação radical: até 2018, ganharão uma versão híbrida tipo plug in. Serão veículos elétricos, com baterias carregadas por meio de tomada e o auxílio de um pequeno motor a gasolina para aumentar a autonomia.

Desde 2013, a London Taxi Company pertence ao grupo chinês Geely (dono também da sueca Volvo). A produção dos black cabs híbridos se dará em uma nova fábrica, em Ansty, na Inglaterra. Para tanto, a Geely fará um INVESTIMENTO de £ 250 milhões - o equivalente a R$ 1,13 bilhão.

O novo táxi se chamará TX5 e manterá a tradicional silhueta dos atuais TX4 equipados com motor turbodiesel da italiana VM Motori. É um design que descende diretamente dos Austin FX4 (1958-1997).

Londres é uma das cidades mais empenhadas em apoiar os carros elétricos para reduzir emissões. Desde o início deste ano, outro modelo de táxi híbrido plug in já roda pelas ruas da capital: são os Metrocab, da rediviva Frazer-Nash. Esses black cabs pós-modernos são capazes de rodar 600km entre cada recarga na tomada. Tamanha autonomia só é possível com a ajuda de um motorzinho 1.0 a gasolina que serve como gerador - o consumo do combustível fóssil fica na casa dos 40km/l.

Você acha que táxis "emissão-zero" são coisa nova? Pois saiba que, em 1897, carruagens eletricas Bersey já levavam passageiros (dois de cada vez) pelas ruas da Inglaterra vitoriana. Eram 75 táxis que rodavam à velocidade máxima de estonteantes 15km/h em absoluto silêncio e sem vibrações, fumaça ou vapor.

O problema era, desde então, a autonomia reduzida: apenas 50km entre as recargas. Daí que a fábrica Bersey saiu de cena em 1899 - quatro anos antes de os primeiros táxis a gasolina chegarem às ruas de Londres!


sábado, 2 de maio de 2015

Justiça de SP determina suspensão do aplicativo Uber no Brasil

30/04/2015 -  O Estado de SP

A Justiça de São Paulo concedeu liminar em favor do sindicato de taxistas do Estado determinando a suspensão das atividades do Uber no Brasil sob pena de multa diária de R$ 100 mil. O aplicativo é uma plataforma que conecta passageiros a motoristas particulares, que podem ser acionados pelo celular.

Em nota, a Uber disse que não foi notificada sobre essa decisão."Reforçamos publicamente nosso compromisso em oferecer aos paulistas uma alternativa segura e confiável de mobilidade urbana", diz o comunicado.

A liminar determina também que o Uber suspenda suas atividades na cidade de São Paulo. A multa é limitada, por ora, a R$ 5 milhões. A decisão, proferida pelo juiz Roberto Luiz Corcioli Filho, da 12a Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na terça-feira, 28, determina ainda que Google, Apple, Microsoft e Samsung deixem de fornecer o aplicativo em suas lojas online e que "suspendam remotamente os aplicativos Uber dos usuários que já o possuam instalado em seus aparelhos celulares".

No País, apenas a versão executiva do serviço (Uber Black) está disponível e os motoristas credenciados atendem somente em quatro cidades: Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital paulista, o valor mínimo de uma viagem é de R$ 10,00. A tarifa base é de R$ 5,00, mais tarifas adicionais de R$ 0,40 por minuto rodado e R$ 2,42 por quilômetro percorrido.

Para se cadastrar como motorista do aplicativo, o candidato precisa possuir veículo próprio com menos de cinco anos de uso, ter carta de motorista com registro habilitado para exercer atividade remunerada e não possuir ficha criminal. No caso do serviço Black - o único disponível no País -, os veículos precisam ser de luxo.

A liminar veio depois que taxistas de várias cidades do país fizeram uma grande manifestação no início deste mês contra o aplicativo que conecta motoristas profissionais e usuários em busca de transporte. Na ocasião, a empresa norte-americana afirmou que "os brasileiros devem ter assegurado seu direito de escolha para se movimentar pelas cidades".

"O Uber ressalta ainda que não é uma empresa de táxi, muito menos fornece este tipo de serviço, mas sim uma empresa de tecnologia que criou uma plataforma tecnológica que conecta motoristas parceiros particulares a usuários que buscam viagens seguras e eficientes", disse a companhia por ocasião dos protestos.


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Táxis elétricos no Rio evitam emissões de nove toneladas de CO2

17/04/2015 - Nissan News

Veículos elétricos também circulam em São Paulo
 
Táxis elétricos evitam emissões de poluentes
Táxis elétricos evitam emissões de poluentes
créditos: Divulgação
 
O Programa de Táxis Elétricos no Rio de Janeiro completa agora dois anos contribuindo para tornar mais limpo o ar da cidade. As 15 unidades do modelo 100% elétrico usadas no programa, que formam a maior frota de táxis elétricos da América do Sul, rodaram juntas no período cerca de 900 mil quilômetros sem emissões de poluentes – emissões zero. Assim, se comparado a um carro de porte médio com motor a gasolina rodando a mesma distância, cada táxi elétrico evitou que fosse despejado na atmosfera, por exemplo, nove toneladas de CO2.

Além de contribuir para diminuir as emissões de poluentes, o táxi elétrico também proporciona uma significativa redução das despesas com abastecimento. Em relação a um carro do mesmo porte abastecido com etanol, levando-se em consideração uma média anual de 30 mil quilômetros rodados em ambiente urbano, a economia de cada LEAF táxi, sendo recarregado usando a rede elétrica, ultrapassa os R$ 10 mil por ano se comparado com um carro a gasolina. Além disso, um carro elétrico proporciona outros ganhos aos motoristas. Por exemplo, não há manutenção de componentes como filtro de óleo, óleo do motor e outros pelo fato do motor não ser a combustão.

O programa de táxis elétricos no Rio faz parte de uma parceria que promove a mobilidade com emissão zero de poluentes na cidade e envolve a montadora Nissan, a Petrobras Distribuidora – responsável pela infraestrutura de recarga para os veículos em postos com sua bandeira –, a Prefeitura e o projeto Rio Capital da Energia. 

Ainda na capital carioca, modelos elétricos já foram usados em testes pela Polícia Militar no patrulhamento de pontos turísticos da cidade e pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro demonstrando toda a sua versatilidade em diferentes tipos de uso. Outros 10 táxis rodam em São Paulo, em um projeto semelhante ao existente no Rio.

Motoristas do app Uber recebem ameaças de taxistas nos aeroportos

16/04/2015 - o Globo, Gente Boa

MARIA FORTUNA


Motoristas do Uber, o serviço pago de carona em carrões pretos, estão deixando os passageiros no estacionamento, e não mais no desembarque dos aeroportos cariocas. É que, revoltados com o serviço que fez cair a procura pelos amarelinhos em aplicativos, os taxistas ameaçam avançar nos carros da concorrência. Dias atrás, aliás, uma carreata de taxistas parou o trânsito no Rio em protesto contra o Uber.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Haddad veta táxi compartilhado

11/01/2015 - O Estado de SP

O prefeito Fernando Haddad (PT) vetou a lei que regulariza o táxi compartilhado na capital. Aprovada ano passado pelos vereadores, a legislação autorizava a criação de rotas fixas para serem divididas por, no mínimo, dois passageiros.

A ideia era que as linhas saíssem de estações de metrô, terminais de ônibus e centros comerciais.

Haddad considerou que a lei desvirtua o transporte individual de passageiros, especialmente a flexibilidade de rotas