domingo, 6 de outubro de 2013

Itapetininga reduz tarifa de ônibus para concorrer com táxi

06/10/2013 - Jornal Cruzeiro do Sul - Sorocaba

Um motivo incomum levou a prefeitura de Itapetininga a propor uma redução na tarifa de ônibus, do valor atual de R$ 1,75 para R$ 1,00: a concorrência do táxi. O serviço de táxi da cidade cobra tarifa única de R$ 1,80, considerada a mais baixa do Brasil. O serviço é prestado por rotas e cada táxi pode levar até quatro passageiros, mas o usuário pode ir do centro ao ponto extremo da cidade pagando a tarifa única. O número de usuários do serviço chega a 10 mil pessoas por dia e está próximo do total de passageiros transportados pelos ônibus, de 15 mil pessoas ao dia.

A cidade, de 145.798 habitantes tem também um serviço de mototáxi com tarifa de R$ 1,50. Diante de tanta concorrência, a prefeitura enfrenta dificuldade para atrair empresas de ônibus interessadas em prestar o serviço de transporte na cidade. O projeto, enviado à Câmara, deve ser votado no dia 5. O prefeito Luís Antonio Di Fiori Costa (PSDB) disse que, além de beneficiar o usuário, a tarifa mais baixa deve atrair indústrias. Segundo ele, para atrair o interesse das empresas, a prefeitura vai subsidiar o transporte. Uma nova empresa deve começar a operar na cidade, com 40 ônibus novos.

O município também vai ganhar um terminal de integração na região central, permitindo que o passageiro se desloque a qualquer parte da cidade usando o mesmo bilhete. Com isso, a prefeitura espera tornar o ônibus mais competitivo. O prefeito alega que o comércio será beneficiado, já que o ônibus barato e o sistema de integração devem trazer mais consumidores para a região central, onde fica a principal zona comercial. O valor do subsídio pode chegar a R$ 225 mil por mês. O táxi rotativo foi criado por lei e os 260 motoristas cadastrados recebem treinamento. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Táxi pode sair mais barato que carro próprio

30/09/2013 - Folha de SP

SAMY DANA

O trânsito Brasil afora está cada vez pior. São Paulo, em especial, vem batendo recordes de congestionamento.

Algumas medidas vêm sendo tomadas para agilizar o transporte público, como a criação de novas vias exclusivas para ônibus.

Contudo, o problema principal persiste: ainda há preferência pelo uso do carro, mesmo que haja outros meios mais eficazes e mais baratos.

Os principais argumentos para justificar o uso de veículos pessoais estão relacionados ao conforto, ao tempo de viagem e ao custo dos táxis.

A análise em relação a ônibus e metrôs é bastante simples: o conforto é, de fato, superior nos carros; já os custos e tempo de viagem podem até ser inferiores, com as novas faixas especiais.

O caso mais interessante é o do táxi, tido como mais caro, mas que, dependendo da distância percorrida, pode representar economia, mantendo o nível de conforto e reduzindo o tempo de viagem, graças à possibilidade de trafegar por faixas exclusivas ao transporte público.

Uma simulação considerando todas as despesas anuais com um carro de R$ 40.000, incluindo depreciação de 15% ao ano, e os custos em valores reais de utilizar táxi para efetuar duas viagens diárias de 10 quilômetros mostra que o custo anual do carro fica em R$ 54.924,52, enquanto que o do táxi fica em R$ 26.838,22, uma diferença de R$ 28.000.

O carro é não somente mais caro, como também envolve o risco de roubo, e gastos com combustível e estacionamentos. O conforto pode ser grande, mas há de se pensar melhor se um bem tão cheio de problemas vale tanto a pena.

SAMY DANA é Ph.D em business, professor da FGV e coordenador do núcleo GV Cult