segunda-feira, 16 de maio de 2011

Até 15 km por dia, táxi é mais barato do que carro

15/05/2011 - Folha de São Paulo

A aposentada Sônia Cacace, 69, abdicou do conforto do carro particular pela praticidade do táxi há dois anos.

"Como rodo pouco, o custo para manter um automóvel sai mais caro. Minhas oito colegas também fizeram o mesmo. Hoje, nem o trânsito caótico me estressa tanto", relata Cacace, que diz aproveitar melhor o tempo ocioso no banco do passageiro.

A pedido da Folha, Samy Dana, professor de finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas, comparou os custos anuais para manter um carro e para andar de táxi.

Os cálculos do professor da FGV mostram quando é vantagem vender o carro e ir (ou ligar) para o ponto.

Para quem roda até 15 km por dia entre ida e volta (do trabalho, por exemplo), o táxi sai (1%) mais barato do que manter um veículo de R$ 40 mil (preço médio dos carros novos vendidos no país).

O custo anual para rodar aproximadamente 5.500 km com carro particular é de cerca de R$ 17.300. Isso quando o dono arca com combustível e todas as taxas, como inspeção, seguro e estacionamento. A depreciação do veículo também está inclusa_o Datafolha calcula que o carro perde 7% do valor ao ano.

"Considerei ainda que o valor de um carro médio aplicado renderia R$ 300 por mês. Isso custearia quase uma semana de táxi em trajetos curtos", calcula Dana.

Quando a comparação é feita com um modelo "popular", de R$ 25 mil e com motor 1.0, que é mais econômico, o táxi só compensa para quem roda até 10 km por dia.

Nesse caso, o custo anual para percorrer 3.600 km seria de R$ 12.463_R$ 10 a menos do que com o carro.

Isso porque a tarifa de táxi na capital paulista é cara, apontam especialistas. Custa quase o dobro da de Buenos Aires, por exemplo.

Em São Paulo, além dos R$ 4,10 iniciais, paga-se mais R$ 2,50 por quilômetro rodado. Após as 20h e aos domingos, esse valor aumenta 30%.

Mesmo assim, o arquiteto de informação Avi Alkalay, 37, resolveu vender o segundo carro. "A cidade não comporta mais esse luxo."

A naturóloga Fernanda Leme, 27, desistiu de seu carro particular para aderir ao táxi após a Lei Seca, de 2008.

"Passei a usar táxi para ir às baladas e vi que era vantajoso, porque os estacionamentos estão muito caros."

Coletivo

Para o especialista em engenharia de tráfego Sérgio Ejzemberg, tanto faz usar táxi ou carro --porque o veículo individual vai ocupar o mesmo espaço na rua.

A solução mais adequada é o transporte coletivo, como o metrô. "As pessoas só desistirão do carro quando houver um transporte coletivo decente --com o mínimo de conforto", diz.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Táxi é mais barato que carro particular

10/05/2011 - Webtranspo

Frota paulista supera a de Paris e Nova York

São Paulo possui uma frota de 32.046 táxis

Às 9h na manhã desta terça-feira, 10, São Paulo registrou congestionamento em 105,02 quilômetros de ruas e avenidas, o que representou 12,1% do total de 868 quilômetros de vias monitoradas pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). O para e anda na capital paulista somado ao alto preço da gasolina e etanol está fazendo com que as pessoas repensem a utilização do transporte individual na cidade.

Uma alternativa ao automóvel privado segundo o Cefipe (Centro de Estudos de Finanças Pessoais e Negócios) poderia ser a utilização de táxi como meio de transporte. De acordo com um estudo realizado pela entidade, o serviço poderia fazer com que a pessoa economizasse R$ 900 por mês. O levantamento analisou todos os gastos referentes a um veículo no valor de R$ 40 mil, ou seja, impostos, manutenção, seguro, combustível, depreciação e até rendimento caso o dinheiro estivesse aplicado, a conclusão foi de que um automóvel particular custaria R$ 1.900, enquanto que as corridas de táxi sairiam por R$ 1 mil mensais.

Um dos argumentos da pesquisa é de que R$ 40 mil investidos na bolsa renderiam no mínimo R$ 265, enquanto um automóvel neste valor desvalorizaria ao menos 1% por mês, o que representa R$ 400.

No entanto, Ricardo Auriemma, presidente da Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo) faz algumas ressalvas sobre esta pesquisa. “Esta economia depende fundamentalmente da distância diária percorrida pelo usuário. A vantagem do táxi poderia ser ainda maior com a redução dos índices de congestionamento no trânsito. Basicamente, o usuário deve comparar o custo de ir e voltar do trabalho todos os dias com táxi e o custo de se fazer o mesmo trajeto com um carro particular. O custo do táxi provavelmente será menor na maioria das vezes”, afirma.

Algumas pessoas já substituíram o veículo particular pelo serviço em alguns momentos. “Como posso ir a pé para meu trabalho e em meu prédio não tem garagem, seria muito caro manter um veículo para este ficar parado em estacionamento. Quando vou ao supermercado pego um táxi para trazer as compras”, afirmou Milena Miziara, jornalista.

Desde 1996, São Paulo conta com uma frota de 32.046 táxis comuns, a maior do Brasil, o que corresponde a aproximadamente um veículo deste tipo para cada 305 habitantes. Segundo Auriemma , este número tem sido mantido há 15 anos para que não haja mais táxi do que moradores e afirma que por vezes o serviço parece não dar conta da demanda pelo congestionamento da cidade e não pela falta de taxistas. A cidade tem uma frota maior que, por exemplo, Nova Iorque e Paris.

Outro ponto que o executivo ressalta é que a capital paulista possui táxis novos e que há cursos para especialização dos profissionais que atuam na área. Porém, ele admite que a demanda aumentou devido ao aquecimento no mercado turístico.

Táxi não é solução

Durante a inauguração da estação Butantã da linha amarela do Metrô, Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, afirmou que São Paulo precisaria de no mínimo o dobro dos atuais 70 quilômetros de linhas férreas para suprir a demanda de passageiros de transporte público e melhorar a mobilidade urbana.

Embora a cidade tenha um déficit no transporte público, Auriemma afirma que o táxi não deve ser visto como uma alternativa aos coletivos. "O aumento de tarifas do metrô e dos ônibus não favorece os táxis. Não podemos, numa cidade como São Paulo, depender deste tipo de serviço como transporte de massa e sim tê-los como algo complementar. Entendemos que a cidade precisa de muitos investimentos no sistema metroviário. Sendo assim, reiteramos que o táxi é essencial para o transporte da cidade, exatamente porque dá suporte aos meios de transporte de massa", ressalta.